Evolução da produtividade do trabalho no Brasil entre 2010 e 2021 e o potencial impacto da redução da jornada de trabalho
Fernando de Holanda Barbosa Filho e Paulo Peruchetti
Este artigo analisa a evolução da produtividade do trabalho no Brasil entre 2010 e 2021 a partir de uma decomposição setorial por grau de formalização da atividade produtiva, com base na metodologia proposta por Barbosa Filho e Veloso (2014). A análise distingue três segmentos da economia, setor formal, setor informal e outras unidades familiares, e utiliza também uma agregação complementar entre setor formal e setor não formal, sendo este último definido como a soma do setor informal e das outras unidades familiares. Os resultados indicam que a produtividade do trabalho permaneceu praticamente estagnada ao longo do período analisado. A redução da produtividade observada dentro dos setores foi compensada pelos ganhos decorrentes da realocação de trabalhadores de atividades menos produtivas para atividades mais produtivas. Ou seja, o crescimento da produtividade agregada resultou predominantemente do efeito composição, que compensou a expressiva queda da produtividade associada ao efeito nível. Esse processo ocorreu em um contexto de desaceleração da formalização da economia. Entre 2010 e 2021, a participação do setor formal aumentou 1,6 ponto percentual, valor bem inferior ao observado na década anterior, quando a expansão alcançou 6,5 pontos percentuais entre 2000 e 2009. Por fim, o artigo apresenta um exercício de simulação para avaliar os impactos da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sobre o valor adicionado e a produtividade. Os resultados sugerem que a medida poderia reduzir o valor adicionado em 2,9%, implicando queda de mesma magnitude na produtividade por trabalhador. Considerando simultaneamente a redução do valor adicionado e das horas trabalhadas, a produtividade por hora trabalhada apresentaria recuo de 0,8%.