Edição de junho de 2026
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Enquanto parte da atenção do país está posta no desempenho da seleção brasileira na Copa, os concorrentes ao Executivo e Legislativo nacional e subnacionais ajustam sua tática para agosto, quando se encerra o prazo para candidaturas e começa a propaganda eleitoral. Novamente, a tendência à polarização joga contra à já difícil pretensão de termos debates consistentes sobre um projeto país, considerando ainda o impacto imprevisível do pedaço da da disputa que é jogado nas redes sociais.
Aqui na Conjuntura, colocamos a bola no chão para tratar de agendas estruturais para o presidente que assumir em 2027. Na Carta do IBRE, o olhar recai para a administração das receitas de recursos naturais – que tendem a crescer com a exploração do petróleo e de minerais estratégicos. Isso implica não apenas onde alocar recursos, mas ter regras fiscais que garantam estabilidade macroeconômica, fundamental para a sustentabilidade do crescimento econômico. Recursos não renováveis também estão no foco de Gabriel Barros, que alerta para o risco de que a exploração de minerais e terras raras não reproduza o velho padrão de exportar riqueza bruta e importar valor agregado. Cristiane Schmidt, por sua vez, defende em seu artigo o papel estratégico do gás natural na transição energética.
Nesta edição, Lia Valls contextualiza o novo capítulo do tarifaço de Trump e o que esperar do “realismo flexível” defendido pelo governo dos EUA. No campo do mercado de trabalho, Nelson Marconi destaca o (ainda) importante papel da indústria na criação de empregos de alto valor agregado, e Vilma Pinto traz um olhar ponderado sobre os efeitos de uma redução da jornada.
Murillo de Aragão analisa o “software” da institucionalidade brasileira e como ajustá-lo para não afastar capital produtivo. Frederico Turolla, por sua vez, trata do avanço das PPPs de infraestrutura social no Brasil, abrindo caminho para o tema da matéria de capa: como desenhar modelos viáveis para o desenvolvimento da locação social no Brasil, entre os quais também figuram as PPPs. Trata-se de um tema pouco abordado, mas fundamental para o combate ao déficit habitacional brasileiro, hoje formado majoritariamente pelo ônus excessivo de aluguel que famílias de baixa renda, sem condições de acesso ao financiamento da casa própria, enfrentam para garantir onde morar.
Boa leitura.
Solange Monteiro – solange.monteiro@fgv.br
Carta do IBRE – Petróleo e desenvolvimento: Brasil não pode desperdiçar uma segunda chance
O Brasil se encontra diante de uma segunda oportunidade histórica. Na Carta, defende-se um ajustamento do marco institucional, permitindo que o novo ciclo de alta na receita obtida de recursos naturais não renováveis – seja do crescimento da produção de petróleo, seja com o potencial associado aos minerais críticos – não implique aumento de volatilidade em variáveis como câmbio, inflação e juros, bem como do próprio crescimento econômico.
Ponto de Vista – O ano começou mais forte do que se imaginava
Samuel Pessôa destaca que medidas expansionistas contribuíram para um impulso extra sobre a demanda brasileira acelerando a atividade, como se pode observar no resultado do PIB no primeiro trimestre. Dada a situação da economia, a pleno emprego, essa surpresa na atividade gera principalmente inflação mais alta. Com isso, o ciclo de queda da Selic já foi revisto, e deveremos rodar 2026 com juros reais pouco mais de 1 ponto percentual maiores do que se imaginava.
Entrevista | Samuel Pessôa – “O próximo presidente terá de aceitar a restrição de recursos da economia”
Nesta conversa, na companhia do jornalista Fernando Dantas, o pesquisador associado do FGV IBRE faz seu balanço da política econômica do governo Lula 3. Pessôa afirma que uma conjunção de fatores possibilitou ao presidente chegar no final do mandato com a economia melhor do que se imaginava em 2023, mas alerta que “o modo petista de governar”, forçando a economia a operar além de seus meios, poderá gerar uma crise de crédito à frente.
Destaques – Blog do IBRE
Confira os principais temas abordados nas últimas semanas.
Capa – Política habitacional
Em maio, Recife deu a largada a uma PPP de locação social que promete abrir uma nova frente no combate ao déficit habitacional. Neste especial, conversamos com especialistas que apresentam as oportunidades para que esse modelo não apenas mitigue o problema do ônus do aluguel entre famílias de baixa renda como contribua para a mobilidade social dessas famílias, estabelecendo-as em regiões centrais com maior oferta de serviços e trabalho.
Entrevistas – Locação social
Augusto Rabelo, secretário Nacional de Habitação do Ministério das Cidades. “Um dos desafios é estruturar mecanismos adequados para operar os empreendimentos”
Marco Gorini, sócio-fundador da Din4mo. “Trata-se de fazer uma inclusão de acesso à cidade, mais do que ao metro quadrado de moradia”
Claudia Magalhães Eloy, Incentivo desconexo.
Artigos
As incertezas nas relações Brasil-Estados Unidos: o que esperar da Seção 301?
Lia Baker Valls Pereira
Podem os serviços substituir o papel da manufatura?
Nelson Marconi
Transformações no mercado de trabalho
Vilma da Conceição Pinto
O tesouro sob nossos pés
Gabriel Barros
LRCAP, Imposto Seletivo e CGOB: o gás natural é a “Geni” da vez?
Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt
O software institucional que expulsa o capital produtivo
Murillo de Aragão
O mercado de PPPs de infraestrutura social no Brasil
Frederico A. Turolla
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