Em março expectativa dos empresários recua pelo quinto mês consecutivo
Solange Monteiro, do Rio de Janeiro
O Índice de Confiança Empresarial do FGV IBRE fechou o mês de março com queda de 0,9 ponto em relação a fevereiro, em 94 pontos. É o menor nível desde novembro de 2023. Apesar de a percepção sobre a situação atual ter melhorado ligeiramente, com alta de 0,3 ponto, houve piora na avaliação sobre o futuro. O maior recuo foi observado na perspectiva para a demanda nos próximos três meses (-1,9 ponto, para 91,4 pontos), enquanto no horizonte de seis meses a queda foi de 0,9 ponto. Com esse resultado, o Índice de Expectativas Empresariais registra a quinta queda consecutiva.
Aloisio Campelo Jr, superintendente de Estatísticas Públicas do FGV IBRE, aponta que o cenário de juros e incerteza elevados contribui para esse pessimismo, mantendo a trajetória negativa observada desde novembro do ano passado. Um atenuante observado nos resultados foi a manutenção do ímpeto de contratações pelos empresários entrevistados. “O saldo entre respostas entre aumento e redução do quadro de pessoal subiu de 9,3 para 10,5 pontos entre fevereiro e março e é um fator que, em parte, contrabalança os sinais de aumento de pessimismo no mês”, afirmou.
Entre os setores analisados pelas Sondagens, o único que registrou queda de fato em relação ao mês anterior foi o de comércio, com queda de 2,4 pontos, para 83,1 pontos. Serviços, por sua vez, foi o que mostrou melhor desempenho no mês, com alta de 1,2 ponto (para 92,9 pontos). Tal como observado pelo pesquisador Stefano Pacini em fevereiro (leia aqui), o feriado de Carnaval no mês de março poderia melhorar a perspectiva dos empresários sobre seus negócios, mas de forma pontual. “A tendência é que continuemos a ver sinais de desaceleração”, afirmou. Analisada em médias trimestrais, em março a confiança do setor de serviços recuou tanto na percepção da situação atual quanto do ponto de vista das expectativas.
Índice de Confiança Empresarial (em pontos, em relação ao mês anterior)

Fonte: FGV IBRE.
Indústria e Construção, por sua vez, fecharam o mês com sinais de estabilidade: a Construção, com alta de 0,7 ponto em relação a fevereiro – depois de dois meses seguidos de retração –, e a indústria, com 0,1 ponto na mesma comparação. Pacini classifica o cenário da indústria como de cautela. As expectativas de curto prazo para contratação e produção seguem evoluindo em terreno positivo, mas na análise do horizonte de seis meses os sinais de pessimismo são maiores, em especial em segmentos relacionados a bens intermediários, com queda no indicador que avalia tendência de negócios, destacou Pacini.
No caso da Construção, Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE, destacou que a melhora registrada no mês não foi disseminada, tampouco recupera as perdas registradas nos meses anteriores. Ainda que o ciclo da construção garanta um bom nível de atividade para este ano – o Boletim Macro do FGV IBRE de março projeta alta de 2,8% para o PIB do setor em 2025, acima do 1,7% no agregado do PIB –, Castelo destaca que fatores como a escassez de mão de obra qualificada e financiamento mais caro tornam o caminho mais difícil para esses empresários.
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