Nova Sondagem do FGV IBRE reflete percepção dos brasileiros sobre o mercado de trabalho
Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro
Nesta semana, o FGV IBRE lançou a Sondagem do Mercado de Trabalho, em que apresenta a percepção dos brasileiros em idade ativa sobre temas como satisfação com sua atividade e renda, estabilidade laboral e nível de proteção social. A divulgação será mensal, com dados em médias móveis trimestrais e base de coleta com cerca de 6 mil entrevistas em todo o território nacional. “Hoje temos uma boa cobertura de dados quantitativos – com a PNAD-C do IBGE, o Caged –, mas sabemos que essas informações não dão conta de toda a história, que podemos complementar capturando a avaliação das pessoas”, diz Rodolpho Tobler, economista do FGV IBRE.
Na primeira edição da Sondagem, referente ao trimestre encerrado em junho, 58,2% dos respondentes declararam estar satisfeitos com seu trabalho principal, e 17% muito satisfeitos. A maioria também avaliou positivamente a renda recebida, com 66% afirmando ser suficiente para arcar com suas despesas principais. “Estamos há mais de dois anos observando uma contínua melhora do mercado, com recorde de emprego formal, melhoria no rendimento, que de certa forma justifica essa avaliação”, afirma Tobler, ainda que o processo inflacionário tenha impactado negativamente nesse resultado. Ao serem questionados sobre as três principais despesas que impactam seu orçamento familiar, as mais citadas foram alimentação (74,2%), aluguel ou financiamento de moradia (42,2%) e contas de serviços públicos (36,8%).
Atualmente e de uma maneira geral, qual o grau de satisfação com o seu trabalho principal?

Fonte: FGV IBRE.
Entre os que se declararam insatisfeitos (6,7%) ou muito insatisfeitos (0,8%) com seu trabalho, os principais motivos assinalados foram remuneração baixa (50,5%), carga horária elevada (21,9%) – tema que tem ganhado destaque com o debate sobre o projeto de redução da jornada semanal (leia mais) – e saúde mental (18,7%). “Esse último quesito ganhou mais destaque depois da pandemia, e pelos resultados demonstra relevância na percepção dos trabalhadores”, afirma.
Apesar dessa opinião majoritariamente favorável, na avaliação sobre proteção social em caso de perda de emprego prevaleceu a preocupação pela falta de garantia de alguma cobertura, com 32,3% afirmando estarem muito desprotegidos, e 39,7% declarando estar parcialmente desprotegidos. “Esse resultado sugere forte relação com a informalidade no mercado de trabalho brasileiro, e deve ser observado mais claramente conforme avançamos na pesquisa, para a construção de uma série”, diz Tobler.
Qual das frases abaixo melhor representa sua percepção sobre o nível de proteção social disponível para você em caso de perda do emprego e/ou da sua principal fonte de renda?

Fonte: FGV IBRE.
Outro resultado destacado nessa primeira divulgação é a percepção dos respondentes de tendência de piora do mercado de trabalho nos próximos seis meses, com 37,2% dos respondentes afirmando que espera estar pior (29,8%) ou muito pior (7,4%). “Esse viés negativo é compreensível, posto que de fato espera-se uma desaceleração da economia, que deve ser acompanhada pelo mercado laboral, além de que partimos de uma base muito alta, com a taxa de desemprego alcançando mínimos históricos”, descreve o economista. Tobler ressalta que essa avaliação é convergente com a percepção dos empresários capturada na Sondagem Empresarial. Na média móvel trimestral, o quesito sobre emprego previsto nos seis meses adiante registrou tendência de desaceleração em 2025, depois de se aproximar de 99 pontos em dezembro de 2024, maior nível registrado nesse ano. “Em maio esse quesito registrou melhora, mas logo voltou à trajetória de queda, acumulando -1,8 ponto em junho comparado a dezembro/24”, descreve. Tobler ressalta, entretanto, que ainda se trata de um patamar alto. “Trata-se de um mercado de trabalho que te se mostrado resiliente, mesmo em momentos passados de expectativa de desaceleração. Agora, entretanto, já não se tem uma percepção tão clara disso”, afirma, o que pode significar um sinal de desaceleração de fato.
Quais as três despesas que mais impactam o orçamento mensal de sua família?

Fonte: FGV IBRE.
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