Nova faixa do Minha Casa Minha Vida contribui para melhora da confiança na construção, apontam Sondagens do FGV IBRE
Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro
O Índice de Confiança da Construção do FGV IBRE registrou alta de 0,7 ponto em junho, para 94 pontos, depois de dois meses em queda. Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE, aponta que a criação de uma nova faixa do Minha Casa Minha Vida (MCMV), que abrange famílias com renda mensal até R$ 12 mil, para financiamento de imóveis com valor total de até R$ 500 mil, colaborou para a recuperação do otimismo entre empresários da construção. Em conversa para o Blog em maio, quando a expansão do programa passou a vigorar, Castelo lembrou que a medida alcança a parcela da classe média que enfrenta dificuldades com o encarecimento e redução de oferta de crédito imobiliário, em função dos juros altos (leia mais). A economista ressalta, entretanto, que as condições de operação para as empresas continuam desafiadoras, o que leva os empresários a estar menos confiantes neste mês de junho do que há um ano.
Em texto para a edição de junho do Boletim Macro do FGV IBRE, Castelo ilustra o papel do MCMV no aquecimento do mercado imobiliário residencial. Ela cita dados da CBIC/BRAIN, indicando que os lançamentos de projetos dentro do programa habitacional avançaram 31,7% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior. “As unidades do programa responderam por 47% das vendas totais no período, consolidando seu papel na sustentação do mercado”, ilustrou. “Novas vendas devem se traduzir em novas obras, o que deve estimular novamente as atividades do início do ciclo produtivo, contribuindo para o aumento do emprego à frente. Se tudo correr bem.”
Castelo também destacou que o volume de unidades financiadas no segmento de média renda, com crédito do SBPE, recuou 2,5% no acumulado até abril, “refletindo maior seletividade dos agentes financeiros” dados de crédito do SBPE. “A criação da faixa 4 no Programa Minha Casa Minha Vida veio para desafogar a pressão da demanda de uma parcela da classe média e, de fato, deve mitigar a contração da oferta via SBPE”, reforçou.
O financiamento às empresas também já enfrenta obstáculos, com retração de 49% no volume de recursos contratados frente ao mesmo período de 2024, destacou Castelo, alertando que “esse cenário pode trazer riscos de postergação de projetos ao longo do ano e ter impactos sobre o ciclo setorial”. Na infraestrutura, por sua vez, “a projeção de crescimento real de 11% nos investimentos em 2025 — ancorada majoritariamente no setor privado — mantém as expectativas positivas”.
A projeção do Boletim Macro do FGV IBRE de junho é de que a construção encerre 2025 com crescimento de 2,1%, contra 2,5% em 2024. Nessa edição do Boletim, Castelo detalha os sinais de moderação da atividade já observados na margem. No primeiro trimestre, o setor registrou contração de 0,8% em relação ao último trimestre de 2024. Neste caso, a base de comparação importa: a construção havia crescido 2,3% no quarto trimestre de 2024. Quando se analisa o acumulado em 12 meses até março, o setor registrou expansão de 4,6%, “levemente superior ao desempenho registrado no ano passado (4,3%)”, descreve no Boletim.
Castelo destaca que, até maio, os gastos das famílias com obras e reformas permaneceram acima dos patamares observados no ano passado, sustentando parte da dinâmica do setor e da evolução do emprego. “De acordo à PNAD Contínua, o número de ocupados na construção cresceu 1,6% no trimestre encerrado em abril, ante o mesmo período de 2024, mas mostra uma desaceleração frente à taxa de 3% observada em 2024”, diz no Boletim. “Desagregando por segmentos, apenas os serviços especializados apresentaram saldo positivo até abril na comparação interanual (+7,3%). Já edificações (-7,2%) e infraestrutura (-8,2%) registraram queda, refletindo a maturação do ciclo de lançamentos anteriores e a menor mobilização de novas obras nesses meses.”
Castelo destaca que a redução do ritmo de crescimento refletida nos indicadores não significa uma inversão de ciclo. Também, que a pressão sobre o mercado de trabalho persiste, com a escassez de mão de obra qualificada se mantendo entre os principais entraves apontados pelas empresas do setor nas Sondagens.
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