Crescimento do número de startups é reflexo de um Nordeste que inova
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Postado por Conjuntura Econômica
Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro
Em recente webinar promovido pelo Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste do FGV IBRE (confira aqui), uma comparação feita por Paulo Lacerda Almeida e Silva, consultor do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR) chamou a atenção: se em número de CNPJs a região responde por 18% das empresas do país, em termos de startups, essa participação cresce para 25%. Essa diferença, apontou Silva, poderia ser um bom sinal de que, com políticas adequadas, a região já sinaliza potencial de desenvolver negócios inovadores que contribuam para acelerar seu desenvolvimento socioeconômico e ampliar sua participação no PIB nacional, que há décadas está estacionada em 14%.
Wébia Silvia, coordenadora do programa Startups Nordeste do Sebrae, afirma que se trata de um ecossistema ainda em desenvolvimento, que tem ganhado tração de fato nos últimos anos. “Não faz muito tempo, quando buscávamos projetos com as características de startups – que fossem inovadores, seja na base tecnológica ou na proposta de valor, de modelo de negócio escalável – em busca de investimento, era difícil encontrar”, diz.
Em 2022, o Sebrae promoveu um estudo para identificar o motivo dessa baixa oferta, e identificou que o problema muitas vezes não estava na falta de propostas inovadores, mas na dificuldade de seus criadores em perceber o potencial de negócio por trás de suas ideias. “Por ser uma região com diversos desafios, também é terreno fértil para projetos inovadores”, diz.
Startups nordestinas – por ano de abertura

Fonte: Sebrae.
Foi a partir desse diagnóstico que o Sebrae desenvolveu o programa Startup Nordeste. A iniciativa conta com três fases. Na primeira, os projetos selecionados passam por um treinamento de “pré-aceleração”, em que recebem orientações básicas de negócio. Os que melhor se saem vão para uma segunda fase, de aceleração, os conteúdos passam a ser mais direcionados para a validação do produto, gestão de negócios e captação de investimentos. Os projetos que avançam à fase final – que já colocaram seu produto á venda, validado pelo mercado – recebem uma bolsa de R$ 6,5 mil por seis meses. “Essa ajuda é importante, pois identificamos que uma das dificuldades desses empreendedores é conseguir ajuda financeira para dedicar-se exclusivamente ao projeto até que ele decole”, diz Silva. No total, o processo de mentoria leva dois anos.
Principais segmentos de atuação

Fonte: Sebrae.
O programa está em seu segundo ciclo, para o qual houve 2.867 inscritos, dos quais 600 chegaram à última fase. Há participantes de todos os 9 estados, com destaque para Piauí (100 projetos), Bahia e Maranhão (80 cada). As áreas predominantes entre as empresas que chegaram à fase de fomento são saúde e bem estar, educação e tecnologia da informação. Silva destaca a importância do apoio das fundações de amparo à pesquisa dos estados (FAPs) na construção da estratégia e financiamento parcial das bolsas. Ela afirma que, do ciclo que se encerra este ano, alguns indicadores já podem ser celebrados. “Dos projetos formalizados, 54% afirmaram que já aumentaram seu faturamento em pelo menos 20%”, diz.
Silva afirma que os principais desafios para o amadurecimento do ecossistema de inovação para startups no Nordeste estão no aprimoramento dos ambientes de inovação, no sentido da conexão com a visão de negócios, e do acesso ao financiamento. “Identificamos que já existe um bom desenvolvimento no campo da governança, uma boa rede de institutos e ciência e tecnologia, mas ainda se trata de um ecossistema em desenvolvimento, com muito potencial a explorar”, conclui.
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