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O paradoxo brasileiro: melhora no emprego, piora na percepção do bem estar

Fernando de Holanda Barbosa Filho, Paulo Peruchetti e Janaína Feijó

Há algum tempo temos discutido os fatores que podem ajudar a explicar o descompasso entre a melhora dos indicadores do mercado de trabalho e a percepção menos favorável da população em relação ao ambiente econômico e ao próprio bem-estar.

Recentemente, publicamos um artigo no qual argumentamos que parte da melhora observada no mercado de trabalho brasileiro decorreu de mudanças estruturais, como por exemplo transformações demográficas e educacionais. Também destacamos que a geração de empregos tem se concentrado em ocupações com remuneração inferior à média nacional. Além disso, mostramos que o peso crescente da alimentação no orçamento das famílias tem reduzido de maneira mais intensa o poder de compra, sobretudo entre os mais pobres. Quando consideramos uma renda contrafactual ajustada pelas mudanças demográficas e educacionais e deflacionada pelo IPCA de alimentação no domicílio, o resultado observado é significativamente pior do que o sugerido pelos indicadores oficiais disponibilizados pelo IBGE. 

Em conjunto, esses fatores contribuem para o enfraquecimento do poder de compra e para a deterioração da percepção de bem-estar da população. Neste artigo, acrescentamos novos elementos que podem ajudar a explicar esse processo de deterioração da percepção de bem-estar. Serão explorados o aumento da inadimplência, do comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas e da fração do crédito livre de pessoa física alocada em modalidades

consideradas mais onerosas, bem como o impacto limitado na renda da proposta de redução do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRPF).

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