Performance do Mercado de Trabalho e Percepção de Bem-Estar: o Descompasso Recente
Fernando de Holanda Barbosa Filho, Janaína Feijó e Paulo Peruchetti
A taxa de desemprego no Brasil vem apresentando trajetória contínua de queda nos últimos anos, situando-se atualmente entre os menores níveis da série histórica iniciada em 2012. Esse movimento constitui um dos principais indicativos do desempenho favorável recente do mercado de trabalho brasileiro.
Entre as hipóteses mais recorrentes na literatura para esse fenômeno recente, destaca-se o papel da reforma trabalhista de 2017. Segundo estimativas de Ottoni e Barreira (2021), a reforma pode ter contribuído para uma redução da taxa de desemprego entre 1,2 e 3,5 pontos percentuais (p.p.). Em linha semelhante, Corbi et al. (2022) argumentam que a diminuição dos incentivos à judicialização das relações de trabalho após a aprovação da reforma levou a uma queda expressiva no número de ações na Justiça do Trabalho nos dois anos subsequentes, efeito que, de acordo com os autores, estaria associado a uma redução adicional de aproximadamente 1,7 p.p na taxa de desemprego.
Outros indicadores também reforçam a melhora recente do mercado de trabalho brasileiro, entre os quais se destacam a elevação do nível de ocupação e o aumento do rendimento do trabalho. Não obstante, apesar dessa trajetória favorável dos principais indicadores, a percepção de bem-estar econômico da população não parece acompanhar a mesma direção. Esse aparente descompasso entre a evolução do mercado de trabalho e a percepção das famílias suscita questões relevantes para a interpretação do atual momento da economia brasileira.
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