Destaques sobre a produtividade do setor da construção
Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro
Dados sobre a evolução da produtividade do setor da construção levantados pelo Observatório da produtividade Regis Bonelli foram destaque do Valor Econômico nesta segunda (7/8) (link aqui - acesso restrito a assinantes do jornal). No primeiro trimestre de 2023, a produtividade da construção medida por horas efetivamente trabalhadas subiu 2,1% em relação ao trimestre anterior – mais do que o agregado da economia, que aumentou 1,3%, e com grande influência do desempenho da agropecuária.
Nos dois últimos trimestres de 2022, a construção já havia registrado desempenho melhor do que o da produtividade agregada: crescimento de 2,1% e 5,7%, para queda de 3,3% e 0,9%, respectivamente. Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE, destacou ao Valor que esse resultado é significativamente influenciado pelo efeito composição. Enquanto a atividade econômica em geral passou a sofrer o efeito da volta de trabalhadores menos qualificados – que na pandemia foram afastados do mercado devido às restrições sanitárias em atividades de maior contato social, como as do setor de serviços –, na construção esse impacto foi menor, devido ao fato de o menor dinamismo nas grandes obras ter sido substituído por um aumento da participação do segmento conhecido como “formiguinha”, de obras realizadas pelas famílias, e que em geral são menos eficientes.
Além disso, a volta do segmento formal de edificações e obra de infraestrutura tendeu a incorporar mais tecnologia – em busca de maior eficiência para mitigar parte do impacto do preço dos insumos do setor, que disparou nos últimos anos. Mudanças nos processos produtivos, inclusive, são um dos fatores que levaram o FGV IBRE a recentemente revisar o Índice Nacional de Custos da Construção, que a partir da medição de julho passou a contar com atualização da ponderação, para melhor refletir a realidade de mercado (leia mais).
Hoje, o setor não identifica mais os preços como problema para seus projetos. A taxa de juros, entretanto, continua sendo um fator restritivo, apontam, mesmo com a sinalização do início do corte da Selic – um dos motivos pelos quais, de acordo a projeção do FGV IBRE, o crescimento do setor desacelere este ano, de 6% em 2022 para 1,3%.
Apesar desse registro positivo quanto à busca por eficiência, Castelo ressaltou ao Valor que a modernização do setor da construção ainda apresenta desafios – incluindo o tributário. Sondagem especial do FGV IBRE realizada em abril mostrou que a adoção do uso de sistemas pré-fabricados nas obras ainda é baixo, de 34,6%. E, entre as que adotavam esse sistema, apenas 24,5% responderam que ele era utilizado em mais da metade das obras.
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