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29 Dez 2025

Gabriel Barros: o risco fiscal e social por trás da fila do INSS

Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro

Boletim divulgado recentemente pelo Ministério da Previdência Social mostra que em outubro deste ano a fila de espera de requerentes de benefícios socais como aposentadorias, pensões e BPC chegou a 2,86 milhões de pessoas. Contrariando promessa do presidente Lula, de zerar os pedidos pendentes, essa fila aumentou em relação a janeiro de 2023, quando somavam 1 milhão.

Em artigo para a Conjuntura Econômica de dezembro, Gabriel Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, analisou esse aumento, destacando o número de pessoas sem renda por trás da estatística, além de um passivo “que pesa sobre a credibilidade das contas públicas”.

Tomando uma base conservadora, de que o benefício médio desses requerimentos represados seja equivalente a um salário-mínimo, e a estimativa de uma fila de 2,4 milhões no início de outubro, Barros calcula que os benefícios não pagos nos últimos três anos superam R$ 73 bilhões. De um lado, há o sofrimento de quem precisa desse apoio; de outro, há uma melhora temporária de resultado primário que desaparecerá quando tais pagamentos forem regularizados. 

Requerimentos de benefícios em análise pelo INSS - em outubro de 2025


Fonte: Boletim Estatístico da Previdência Social.

Barros lembra que esse acúmulo recente tem vários motivos, entre os quais uma gestão pública que não foi modernizada e tem de enfrentar um envelhecimento populacional acelerado. Também, o risco de fraudes, que pode se ampliar em caso de aceleração do processo sob as mesmas bases operacionais. “A resposta exige tecnologia bem aplicada, cruzamento de bases e controles automatizados, mas também governança, transparência e capacidade de execução nas instâncias regionais”, diz Barros. “Modernizar processos, fortalecer controles e priorizar o pagamento de quem mais precisa não é apenas uma questão técnica, é um imperativo democrático. Sem isso, o país corre o risco de ver direitos adiados se transformarem em dívidas que as próximas gerações terão de pagar”, defende.

Leia a íntegra deste artigo aqui.

Confira a edição completa.

 


As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV