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24 Fev 2025

Confiança do consumidor mantém trajetória de queda em fevereiro

Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro

Após uma expressiva queda de 5,1 pontos em janeiro em relação a dezembro, a confiança do consumidor brasileiro medida pela Sondagem do FGV IBRE manteve a trajetória de queda em fevereiro, com retração de 2,6 pontos, para 83,6 pontos.  Com o resultado de fevereiro, a confiança do consumidor soma o terceiro mês consecutivo de queda, com uma perda total de 10 pontos, chegando ao menor nível desde agosto de 2022, quando estava em 82,1 pontos.

Anna Carolina Gouveia, economista do FGV IBRE responsável pela divulgação da Sondagem, afirma que o motor desse resultado foram as expectativas quanto aos próximos meses, com retração de 4,3 pontos, para 87,3 pontos, enquanto o indicador de situação atual manteve-se no mesmo nível de janeiro, com 79,4 pontos. Em janeiro, as perspectivas quanto à situação futura também tinham liderado o aumento do pessimismo das famílias, com queda de 6 pontos em relação a dezembro.

Índice de Confiança do Consumidor por faixa de renda em fevereiro


Fonte: FGV IBRE.

A economista afirma que a inflação de alimentos (tema da Conjuntura Econômica de fevereiro) e a alta de juros contribuíram para o aumento do pessimismo entre as famílias brasileiras. A maior queda da confiança do consumidor se deu no quesito de intenção de compra de bens duráveis, com recuo de 9,9 pontos, para 75,2 pontos. Esse quesito costuma estar relacionado ao aperto nas condições de crédito, posto que bens duráveis costumam ser mais caros e implicam algum tipo de financiamento. Outra queda de destaque foi quanto às perspectivas para a situação financeira futura das famílias, com recuo de 3 pontos, para 89,5 pontos. Em janeiro esse quesito tinha registrado a maior queda observada, com -6,7 pontos, para 92,5 pontos, chegando ao menor nível desde 2022.

O recuo da confiança em fevereiro aconteceu em todas as faixas de renda, sendo que a queda mais forte foi na faixa de consumidores de mais baixa renda, de até R$ 2,1 mil ao mês. Nesse grupo, a confiança caiu 3,3 pontos, para 84,6 pontos – nível mais baixo entre as faixas de renda. Em janeiro, a maior queda foi na faixa entre R$ 4,8 mil e R$ 9,6 mil, seguida pela faixa mais baixa, com -5,8 pontos, numa escala em que 100 pontos é o nível considerado neutro.

 


As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.