Produtividade do trabalho dá sinais de melhora no segundo trimestre do ano
Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro
A produtividade do trabalho brasileira, medida a partir das horas efetivamente trabalhadas, registrou alta de 0,3% no segundo trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2024 e recuo de 0,4% em relação ao primeiro trimestre. Os cálculos são do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, do FGV IBRE.
A agropecuária manteve sua importância para impulsionar a produtividade, com alta de 14,4% no mês em relação a 2024, reflexo da safra recorde registrada este ano. No primeiro trimestre, o aumento havia sido de 14% na mesma comparação. Silvia Matos, coordenadora do Observatório, destaca ainda o desempenho das atividades classificadas como ”outros serviços” - que incluem serviços prestados às famílias e os de saúde e educação privados -, com alta de 0,6% ante 2024, contra uma queda de 0,3% no primeiro tri. Esse grupo representou cerca de 43% das horas efetivamente trabalhadas no setor de serviços brasileiro em 2024.
Ao Valor Econômico (acesso restrito a assinantes do jornal), Matos afirmou que a reforma trabalhista - que teve efeito positivo para a formalização e a terceirização - pode justificar parte desse resultado. Ela lembra que o setor de serviços brasileiro sofre de baixa produtividade, entre outros fatores, devido ao alto grau de informalidade nas relações trabalhistas. No agregado das atividades de serviços, entretanto, a contribuição desse setor para a produtividade do trabalho permanece negativa, com -0,4 ponto percentual na comparação interanual. Entre os segmentos mais significativos que registraram queda estão comércio (que representa 28,3% das horas efetivamente trabalhadas no setor e registrou contração de 1,7%) e transportes (com 8,6% do total e contração de 4,1%). Na indústria, por sua vez, a produtividade por hora efetiva caiu 1,5% no segundo tri ante igual período de 2024 - reflexo, diz Matos, de perda de vigor, enquanto o emprego no setor ainda se mantém aquecido. Um dos segmentos que fogem a essa tendência é a construção civil, com aumento de 1,9% de produtividade no segundo trimestre.
Variação (%) da produtividade em relação ao mesmo trimestre do ano anterior
por hora efetivamente trabalhada

Fonte: FGV IBRE.
Para a economista, a tendência é de que 2025 feche com um crescimento baixo da produtividade - no primeiro semestre foi de 0,2%, e nesta segunda metade do ano o agro não ajudará na mesma proporção. Ela lembra que, apesar da produtividade do trabalho por hora efetiva estar 2,3% acima do nível pré-pandemia, ainda se trata de um desempenho ruim. Além disso, quando medida a eficiência da economia como um todo - a chamada PTF - o Brasil está 5,7% abaixo do nível pré-pandemia, e registrou queda de 1,1% no segundo tri em relação ao mesmo período de 2024
A medida de PTF analisa o desempenho da economia a partir da combinação entre trabalho e capital, e é calculada com dados das Contas Nacionais Trimestrais e da Pnad Contínua do IBGE, além da Sondagem da Indústria do FGV IBRE. Já a produtividade por hora efetivamente trabalhada é uma das medidas calculadas no Observatório. Isso é feito a partir da comparação do valor adicionado - medida que retira impostos e subsídios da conta do PIB - com indicadores de trabalho que levem em conta variações das horas trabalhadas como feriados e licenças (para menos) e horas extras ou reposições (para mais), por isso é considerada a métrica mais aderente à evolução real da produtividade.
Leia a íntegra dos resultados no Observatório da Produtividade Regis Bonelli.
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