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18 Fev 2025

Monitor do PIB aponta crescimento de 3,5% em 2024, com sinais de desaceleração

Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro

O Monitor do PIB do FGV IBRE aponta crescimento de 3,5% da economia brasileira em 2024, com sinais de desaceleração no final do ano, prenunciando um resultado mais fraco em 2025, afirma Claudio Considera, coordenador do Núcleo de Contas Nacionais do FGV IBRE. Em dezembro, o PIB cresceu 0,3% frente a novembro; no quarto trimestre, a expansão foi de 0,4% em relação ao trimestre anterior. O IBGE divulgará o PIB oficial de 2024 no dia 7 de março.

Diferentemente de 2023, quando o desempenho da economia foi especialmente impulsionado pelo setor agropecuário e pelas exportações, em 2024 o crescimento da atividade foi mais espalhado. Em entrevista ao Valor Econômico (link aqui, acesso restrito a assinantes do jornal), Considera destacou que houve uma “disseminação de taxas positivas”, com exceção do agro, que na variação anual recuou 2,5% de acordo ao Monitor. Ainda pelo lado da oferta, a indústria registrou alta de 3,4% e os serviços avançaram 3,9%.

Considera ressaltou que tal expansão foi beneficiada por uma conjuntura favorável ao consumo, em que se destaca o bom momento do mercado de trabalho. O Monitor indica crescimento de 5,2% no consumo das famílias em 2024 – em 2023, essa alta foi de 3,2% –, e de 1,8% no consumo do governo. O economista também destaca o bom desempenho do investimento, com a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) marcando expansão de 7,6%, e destaque para o setor de máquinas e equipamentos, que cresceu 12%, depois de retrair 8,4% em 2023. Essa expansão em geral é relacionada a uma melhora da capacidade produtiva no país, com efeitos positivos futuros. As exportações cresceram 3,7%, e as importações dispararam, com alta de 14,3%.

Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, destacou ao jornal O Globo (link aqui, acesso restrito a assinantes do jornal) que uma conjuntura de juros mais elevados como esperada para 2025 pode inibir a atividade econômica doméstica, em especial os investimentos, e que um cenário externo com aumento de incerteza e possíveis aumentos de tarifas de importação podem comprometer o desempenho das exportações brasileiras. Considera, por sua vez, lembrou que a evolução das guerras na Ucrânia e em Israel também podem influenciar os preços das commodities brasileiras e prejudicar a cadeia global de insumos.

 


As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.