Infraestrutura de transportes também precisa ser equilibrada com preocupações ambientais, afirma Sandra Echeverría, do FGV IBRE
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Postado por Conjuntura Econômica
Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro
No desafio global de neutralizar as emissões de gases que provocam o efeito estufa, a transição energética acapara as atenções diante da tarefa de transformar a matriz mundial, em que ainda predominam as fontes não-renováveis, concentrando grande parte dessas emissões. Outros campos da infraestrutura, entretanto, também têm seu quinhão a contribuir para mitigar essa poluição, responsável pelo aquecimento global. Levantamento do Escritório das Nações Unidades de Serviços para Projetos (Unops, na sigla em inglês) de 2021 aponta, por exemplo, que a infraestrutura de transporte responde por 16% das emissões globais de gases do efeito estufa, nível similar ao das edificações (17%).
“A infraestrutura de transportes também precisa ser equilibrada com preocupações ambientais”, afirma Sandra Echeverría, superintendente adjunta de Engenharia do FGV IBRE. Em conversa para o Blog, Echeverría explica como essa diretriz tem influenciado o trabalho do IBRE na área de infraestrutura rodoviária, na qual o Instituto acumula experiência de mais de uma década em projetos como o de composição de custos. Echeverría conta que a base desse trabalho está em unir o estudo de custos à quantificação das emissões, contribuindo para uma tomada de decisões que também atenda a parâmetros ambientais. O investimento na identificação do nível de sustentabilidade de uma obra também pode contribuir para a viabilidade econômica desse projeto, ao servir como base para a conquista de incentivos fiscais e financiamentos direcionados, cita Echeverría.
Contribuição de cada setor de infraestrutura para o total de emissões de gases do efeito estufa – em %

Fonte: Unops.
A engenheira, mestre em geotécnica, conta que para chegar a esse nível de informação os especialistas do IBRE usam técnicas de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) e de Avaliação do Custo do Ciclo de Vida (ACCV), que se somam aos sistemas de custos. “Desenvolvemos uma metodologia que, a partir da coleta de todas as informações que vão uso de mão de obra ao de equipamentos e materiais, chegamos a um quantitativo de emissões de CO2”, descreve. “Quando se avalia o ciclo de vida de uma rodovia, busca-se desde os dados relacionados às emissões na fabricação de cada material, por exemplo, do concreto, até as relativas a seu transporte ao canteiro de obras e seu uso. Não é só. Ainda é preciso pensar na manutenção dessa rodovia. Assim como potenciais intervenções futuras de operação, demolição e descarte. É o que chamamos de pesquisar o ciclo do berço ao túmulo, para o cálculo de todos os serviços utilizados na implantação e manutenção de uma rodovia”, completa.
Um dos projetos realizados pelo IBRE foi o cálculo de consumo energético e de CO2 de uma obra de reestruturação de pavimento em um trecho de 50 km da rodovia PRC-280, no Paraná. Nesse caso, foi feito um comparativo entre duas soluções: uma delas com uso de pavimento flexível, e a outra com a técnica whitetopping, escolhida para a obra, que prevê a colocação de um pavimento de concreto sobre o pavimento flexível já deteriorado. O resultado demonstrou um impacto ambiental menor com a técnica optada. Agora a expectativa é de apresentar esse estudo a órgãos de fomento, como BID e BNDES. Uma vez aceitos os resultados, a obra poderá ser classificada como infraestrutura sustentável.
Diferentes impactos em uma obra rodoviária

Fonte: FGV IBRE.
Em agosto, em seminário promovido pela Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe), a Companhia de Águas e Esgoto do Ceará (Cagece) e apoio da revista Conjuntura Econômica (veja aqui) , Echeverría apresentou o trabalho do IBRE na identificação da pegada de carbono em obras de saneamento, lembrando que, em qualquer setor, a identificação do nível de emissões também cobra importância com a evolução do mercado de créditos de carbono.
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