IGP-DI registra queda de 1,8%, influenciada pelo preço de matérias-primas

Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro

Em junho, Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) medido pelo FGV IBRE registrou queda de 1,8%. Matheus Dias, economista do FGV IBRE, afirma que o resultado teve forte influência das matérias-primas medidas no Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA). Em junho, o IPA registrou queda de 2,72%, sendo minério de ferro, soja em grãos e café os itens que mais contribuíram para esse resultado.

Dias destaca que retração no preço de minério e de alimentos estão em linha ao já observado no mês anterior. “No caso dos produtos agrícolas, além de termos um ano com boas safras, há ainda uma tendência de queda de preços no final do outono no Brasil, que dura até o final do inverno, mas que este ano começou mais intensa do que o esperado”, afirma. No caso do café, cujo preço no IPA registrou queda de 15,18% em junho, Dias relata que se trata de uma melhora na colheita tanto no Brasil quanto em outros produtores tradicionais como Colômbia e Vietnã, após safras problemáticas devido a questões climáticas. “Mesmo com essa melhora no curto prazo, associações de produtores apontam que a recuperação da oferta desse produto para dar conta da demanda global não deverá acontecer antes do final de 2026”, ponderou.

O IPA é o índice de maior peso entre os três que fazem parte do IGP, uma ponderação de 60% – seguido do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com 30%, e do Índice Nacional de Custos da Construção (INCC), com 10%.

Principais influências no IGP DI de junho
variação % em junho - leva em conta o peso de cada produto no cálculo do índice


Fonte: FGV IBRE.

No Índice de Preços ao Consumidor (IPC), apesar de algumas retrações de preço como na alimentação no domicílio e (-0,19%) e no grupo comunicação (-0,07%), o índice fechou em alta de 0,16%, puxado principalmente pelo acionamento da bandeira vermelha na tarifa de eletricidade, aumentando a conta de energia em 2,82% no mês, entre outros itens como alimentação fora de casa, passagem aérea e tarifa de água e esgoto. Também pressionaram a inflação serviços como os do grupo de educação, leitura e recreação, que registrou 1,03% de alta.

Dias afirma que a difusão da inflação foi menor em junho em relação a maio, com o registro de alta em 50,97% dos produtos da cesta, contra 60,65% no mês anterior. O núcleo do IPC – que exclui da análise itens com maior volatilidade, para evitar distorções reduzindo a cesta da para 45 dos 85 itens analisados no IPC – também desacelerou em junho, com taxa de 0,32%, levemente abaixo dos 0,36% registrados em maio.

O INCC, por sua vez, foi o único que apresentou aceleração de preços em relação a maio, com alta de 0,69%, com variações de 0,12% no grupo máquinas e equipamentos, de 1,26% em serviços e de 1,32% em mão de obra – grupo que regista a maior alta no acumulado em 12 meses, de 9,98% até junho. “Levando em conta a concentração de dissídios ente os meses de maio e junho, é possível que essa pressão de preços de mão de obra sofra alguma nos próximos meses”, afirma. Ainda é preciso considerar nesse caso, a dificuldade apontada por empresas do setor na oferta de mão de obra qualificada, que tende a afetar o nível dos salários de admissão. Dias também destaca a tendência de maior volatilidade de preços entre os insumos relacionados a commodities, como minério de ferro e petróleo, cuja queda no preço internacional contribuíram para uma redução de preços em itens como concreto e vergalhões.

 


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