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19 Set 2025

Icomex indica produtos brasileiros taxados nos EUA que tiveram aumento de exportações a outros destinos

Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro

O Icomex do FGV IBRE divulgado nesta quinta-feira (18/9) mostra que, as vendas de soja para a China e as do setor automotivo para a Argentina foram as principais contribuições, no acumulado dos oito primeiros meses do ano, para reduzir o impacto da queda das exportações aos EUA. Apenas em agosto, a China foi a responsável por 31,8% dos embarques brasileiros, com variação de 34,6% em volume quando comparado a agosto de 2024. A Argentina representou 5,5% do total exportado, com aumento de 45,7% na mesma comparação. Para os Estados Unidos, as vendas caíram 15,4% em volume.

No texto, os pesquisadores do IBRE mostram que, comparando as exportações entre os meses de julho e agosto de 2024 e 2025, a maior parte dos setores registra alta em julho, sugerindo a uma antecipação de embarques, reforçando a tendência de desaceleração de vendas a partir da sobretaxação. Em outro levantamento, que toma os 30 principais produtos exportados pelo Brasil no acumulado de janeiro a agosto, os pesquisadores identificam quais produtos não isentos ao tarifaço registraram queda nos embarques aos EUA, e quais ampliaram suas vendas a outros destinos. Destacam que entre os que apresentam queda nas vendas para os EUA, alguns registraram aumento de mais de 30% nas vendas para o resto do mundo.

Desse grupo fazem parte os da rubrica “outras manufaturas de ferro e aço”, que registraram queda de 28,3% nas vendas aos EUA e aumento de 99,7% para outros mercados; a carne de boi com queda de 47,7% para os EUA e alta de 67,9% ao resto do mundo, e transformadores de dielétrico líquido, com variações, respectivamente, de -54% e 113,7%.

Principais produtos não isentos exportados para os Estados Unidos e para o resto do mundo


*Resto mundo + Exportações totais do produto menos exportações para os Estados Unidos. Elaboração: FGV IBRE. Fonte: SISCOMEX /Secretaria de Comércio Exterior /MDIC.

Lia Valls, pesquisadora associada do FGV IBRE, destaca que, se por um lado a tarefa de buscar mercados alternativos no curto prazo tende a ser mais desafiadora para as manufaturas, quando as exportadoras são multinacionais, a implementação de estratégias de diversificação se torna mais fácil. Valls afirma que ainda é preciso conservar os próximos resultados da balança comercial para identificar quanto da retração das exportações aos EUA em agosto é fruto do movimento de antecipação observado em julho, mas considera pouco provável que as exportações aos EUA continuem em queda. “O nível de exportações pode mudar, mas alguma retomada e estabilidade são esperadas”, destaca o Icomex. Por um lado, há possibilidade de avanço em negociações que ampliem a lista de isenções; de outro, ainda é preciso esperar a investigação da Seção 301, que podem implicar a aplicação de novas tarifas, mas esse resultado só deve ser divulgado no final do ano.

Por ora, o FGV IBRE mantém a previsão de que a balança comercial brasileira em 2025 registre superávit entre US$ 62 bilhões e US$ 65 bilhões. Valls ainda destaca que “o esforço de diversificação do mercado continua na agenda e deve se manter o canal aberto para as

negociações de caráter técnico”.

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As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.