Consumo de serviços e investimento da construção colaboram para PIB de 1,1% no segundo trimestre, aponta Monitor do PIB
Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro
O Monitor do PIB do FGV IBRE divulgado nesta terça-feira (16/8) indica crescimento de 1,1% na atividade econômica no segundo trimestre de 2022 em relação ao primeiro trimestre, acima de diversas previsões de mercado. Na comparação interanual, o trimestre fechou com crescimento da economia de 3%.
Juliana Trece, coordenadora do Monitor do PIB, lembra que as projeções iniciais para o trimestre eram de início de desaceleração, mas que mês a mês a atividade demonstrou manutenção do ritmo. A demanda aquecida em serviços – que na taxa de variação interanual fechou o segundo trimestre em alta de 3,7% – e o investimento observado no setor de construção, com crescimento de 1,6% na mesma comparação – foram destaques do Monitor. “No caso dos serviços, ressaltamos especialmente o consumo nos segmentos de alojamento e alimentação, e algo de saúde privada”, afirma. Pelo lado da oferta, serviços fecharam o segundo trimestre com crescimento de 11,3% comparação interanual, depois de ter crescido 12,6% no primeiro trimestre. “Manter essa expansão na casa de dois dígitos foi realmente uma surpresa positiva”, afirma. Na comparação interanual, também fecharam o trimestre em alta o consumo de produtos não-duráveis – em 0,9%, contra 0,6% no trimestre fechado em maio – e produtos semiduráveis, com 0,2% na mesma comparação, recuando 0,4 ponto percentual do registrado em maio. Já o consumo de produtos duráveis manteve variação negativa, fechando em -0,5% no segundo trimestre, na variação interanual, mantendo a tendência de resultados negativos observada desde setembro de 2021.
As medidas de injeção de liquidez na economia operadas no segundo trimestre - de antecipação do 13͒ salário de aposentados e pensionistas e saques do FGTS - colaboraram para esse resultado. O aumento do benefício do Auxílio Brasil também poderá colaborar para a manutenção de certo nível de consumo, diz Juliana, especialmente de bens não duráveis. No caso dos duráveis, além de uma acomodação do consumo depois da alta registrada enquanto as medidas sanitárias em função da pandemia restringiram parte do consumo de serviços - as altas taxas de juros também tendem a limitar essa compra, que em geral é de produtos de maior valor e demanda algum tipo de crédito, como parcelamento. Como destacou a coluna Em Foco, o nível de endividamento das famílias já está alto, o que pode levar a um comportamento mais prudente. “Isso, entretanto, não será suficiente para deter toda a desaceleração esperada no segundo semestre”, diz a economista.
Consumo das famílias: composição da taxa de variação trimestral interanual

Fonte: FGV IBRE.
Claudio Considera, coordenador do Núcleo de Contas Nacionais do FGV IBRE, lembra que o resultado negativo do IPCA observado em julho ainda não pode ser considerado deflação, por estar concentrada nos combustíveis e não indicar uma queda generalizada de preços. “A inflação de serviços começa a aparecer de forma mais grave. As famílias tenderão a abrir mão de alguns, e isso de certa forma pode travar um pouco a atividade”, diz.
Pelo lado do investimento, o trimestre fechou com alta de 0,3% na comparação interanual, depois de registrar resultados negativos nos períodos imediatamente anteriores. Na comparação com o primeiro trimestre, cresceu 4%. A construção foi o destaque na comparação interanual, fechando o trimestre com alta de 1,6%, registrando uma melhora de desempenho desde uma variação negativa registrada no trimestre encerrado em março (-0,8%). Mas com resultados que ainda estão longe do desempenho observado em 2021 - no último trimestre do ano, o setor fechou em alta de 3,1%. Mesmo demonstrando resiliência, observou-se no semestre sinais de preocupação, como com a alta de preços de materiais Resiliência, mas já com sinais preocupantes. No campo das obras públicas, peso da alta do preço dos materiais, além do baixo desempenho no segmento de habitação popular, como já se observada desde o primero trimestre. O segmento de máquinas e equipamentos fechou em -1,8%, mas com resultados positivos nas comparações mês a mês, reduzindo a queda observada na comparação trimestral interanual, que em fevereiro havia chegado a -7%.
Investimento: composição da taxa de variação trimestral interanual

Fonte: FGV IBRE.
No campo das exportações, o Monitor do PIB reforça o resultado apontado pelo Icomex, de um primeiro semestre marcado pela queda das vendas em volume da agropecuária e da indústria extrativa. O Monitor também inclui dados de exportações de serviços, que fechou o trimestre em terreno negativo. No agregado, entretanto, as exportações de bens e serviços registrou retração de 2,4% em relação ao trimestre anterior.
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