Confiança do consumidor abre o ano em forte queda
Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) do FGV IBRE iniciou o ano em forte queda, saindo de 91,3 pontos em dezembro de 2024 para 86,2 pontos em janeiro, dando sinais de uma possível desaceleração do consumo. O resultado deste mês marca a segunda queda consecutiva do Índice: em dezembro, o ICC havia retraído 3,1 pontos em relação a novembro. Anna Carolina Gouveia, economista do FGV IBRE, afirma que a retração de janeiro foi disseminada, observada tanto na avaliação sobre a situação atual quanto em relação às expectativas – neste último caso, com destaque para a piora da percepção da situação financeira futura das famílias. O aumento do pessimismo também foi observado entre todos os níveis de renda, com a maior queda (de 6,3 pontos) registrada na faixa entre R$ 4,8 mil e R$ 9,6 mil, seguida pela faixa mais baixa, até R$ 2,1 mil, com -5,8 pontos e o nível mais baixo de ICC, com 84,6 pontos, numa escala em que 100 pontos é o nível considerado neutro.
Variação da Confiança do Consumidor
(em pontos)

Fonte: FGV IBRE.
Tal resultado sinaliza, diz Gouveia, que a alta da inflação já é sentida pelos consumidores, “além da continuidade do aumento da taxa de juros, que encarece dívidas e dificulta a compra de bens de maior valor”. Ela destaca que a perda de 5,1 pontos no espaço de um mês é o maior declínio registrado pelo ICC desde setembro de 2021, quando o ICC registrou queda de 6,5 pontos em relação a agosto, para 75,3 pontos. Nesse período, além de tensão política, o país registrava um IPCA de 9,68% em 12 meses – fechando o ano em 10,06% -, e uma taxa de juros básica de 6,25% ao ano, ainda distante dos 13,75% que a Selic alcançou em agosto de 2022, mas que já era três vezes maior do que os 2% de janeiro de 2021.
Neste janeiro, o principal vetor de pessimismo foi a perspectiva quanto ao futuro, com o Índice de Expectativas caindo 6 pontos em relação a dezembro. Entre os quesitos que medem o humor dos consumidores sobre os meses adiante, o maior recuo foi registrado pelo que mede a situação financeira futura da família, com -6,7 pontos, para 92,5 pontos, chegando ao menor nível desde 2022, quando marcou 90 pontos. Gouveia destaca que, somando a queda registrada em dezembro, esse quesito já soma uma queda de 14,3 pontos.
Confiança do Consumidor por faixa de renda em janeiro
(em pontos)

Fonte: FGV IBRE.
Outra queda significativa foi observada nos quesitos perspectivas para situação econômica local futura (-4,6 pontos, para 98,3 pontos) e compras previstas de bens duráveis (-5,9 pontos, para 85,1 pontos), corroborando os sinais de uma desaceleração de consumo adiante. “Com inflação e taxa de juros em alta, somados a um nível significativo de inadimplência, ampliam a insegurança das famílias a consumir”, afirma a economista. De acordo à Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), 2024 fechou com 29,3% dos consumidores com contas em atraso. Já a proporção de consumidores que afirmaram não ter condições de pagar suas dívidas vencidas foi de 13% - maior patamar da série histórica.
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