O aumento recente da produtividade no Brasil foi temporário ou permanente?

Blog do IBRE – Os dados sugerem que o salto de produtividade que ocorreu ano passado no Brasil, ligado à pandemia, foi em grande medida temporário e será provavelmente revertido com o avanço da vacinação e a recuperação dos setores mais afetados, especialmente no setor de serviços.

Como tenho discutido neste espaço, a pandemia da Covid-19 teve impacto profundo sobre os indicadores de produtividade no Brasil e no mundo. A questão que se coloca é se esse efeito foi temporário ou permanente. A resposta é de grande importância para avaliarmos a natureza da recuperação em 2020 e o potencial de crescimento no longo prazo.

Em 2020, produtividade por hora trabalhada teve crescimento de 4% na média mundial, segundo dados do Conference Board. Um dado surpreendente é que o crescimento da produtividade foi maior em economias emergentes e em desenvolvimento (5,3%) que nas economias avançadas (1,1%). Na média da América Latina houve um aumento de 10,5% e no Brasil foi registrado crescimento de 12,2%.

Essas evidências sugerem que o fator preponderante para esse aumento da produtividade provavelmente não foi a incorporação de novas tecnologias, que deveria beneficiar mais as economias avançadas.

Por exemplo, enquanto o potencial de trabalho remoto no Brasil, calculado segundo a metodologia de Dingel e Neiman (“How many Jobs Can be Done at Home?”) é de cerca de 25%, nos Estados Unidos ele alcança 37%. Segundo dados da PNAD Covid, o trabalho remoto efetivo no Brasil em 2020 foi ainda menor que o potencial, tendo alcançado um pico um pouco acima de 10% em maio e declinado para 8,7% em novembro, último dado coletado.

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