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01 Jun 2022

Fabio Giambiagi e Ricardo Barboza, pesquisadores associados do FGV IBRE, reúnem em livro análises de especialistas do BNDES sobre desenvolvimento econômico brasileiro

Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro

Nas constantes atualizações sobre os desafios de crescimento econômico do Brasil que tem realizado em cerca de três décadas, uma das características perseguidas pelo pesquisador associado do FGV IBRE Fabio Giambiagi é a de lançar livros que joguem novos olhares para velhos e novos problemas. Em 2020, em O Futuro do Brasil, o economista reuniu nomes emergentes selecionados por líderes que identificavam nesses profissionais o potencial de estarem no centro do debate nacional a partir da próxima década. “Alguns até anteciparam esse prazo, como Diogo Guillen, que este ano assumiu o posto de diretor de Política Econômica no Banco Central, para citar um exemplo”, lembra Giambiagi.

No recém-lançado O labirinto visto de cima: saídas para o desenvolvimento do Brasil (Editora Lux), Giambiagi agora escala, em parceria com Ricardo Barboza, um time de 42 funcionários de carreira do BNDES – incluindo os próprios organizadores – para escrever sobre uma lista de temas de macroeconomia, infraestrutura e da agenda social determinantes para o crescimento sustentável e inclusivo do país.  Além de disseminar o conhecimento técnico desse grupo de especialistas, a proposta, descreve Giambiagi, foi ressaltar a qualidade dos quadros do BNDES, uma homenagem à instituição no mês em que o banco completa 70 anos.

Os autores convidados foram instados a tratar dos temas que dominam fora do âmbito de ação do banco, sem representar a posição oficial do BNDES. “Quando se trata de desenvolvimento econômico, muito se discute em termos teóricos, sobre as grandes causas, comparativos entre países, o que em geral estes deveriam fazer para se desenvolver. O diferencial, neste livro, é que as análises são feitas por pessoas que trabalham desenvolvimento econômico no dia a dia, estão na ponta, buscando estruturar um processo de privatização, melhorar a situação da infraestrutura, compreender os reais problemas que restringem o desenvolvimento em alguma medida”, compara Ricardo Barboza, também pesquisador associado do FGV IBRE.

O exemplo vem dos próprios organizadores, em seus respectivos capítulos. Giambiagi, em parceria com Letícia Magalhães, traça um panorama de como destravar o crescimento do PIB brasileiro da casa de 1% ao ano respeitando as restrições macroeconômicas do país, para chegar a um crescimento sustentado em torno de 2,5%. Em seu texto, os economistas apontam que que é possível acelerar o crescimento até 2,77% em 2026, se consideradas premissas como um aumento do investimento e da produtividade, que sairia de 0,2% em 2023 para 0,8% daqui quatro anos.

Barboza, por sua vez, escreveu com Mauricio Busnello Furtado uma análise da política monetária brasileira, que em breve terá uma versão como Texto de Discussão, publicada pelo FGV IBRE. “Identificamos 10 pontos sensíveis para o bom funcionamento do regime de metas mais aderente à realidade brasileira, mais transparente e que dê mais efetividade ao duplo mandato do Banco Central, voltado ao combate à inflação e ao desemprego”, afirma. Entre as recomendações do texto estão a adoção de metas de inflação de médio prazo ao invés de ano-calendário, focadas no núcleo e não no IPCA cheio, além de avaliação periódica do regime.

Outro diferencial realçado por Giambiagi nesse seu 38º livro, entre escritos e organizados, aprendido por ele nos 38 anos junto ao BNDES, é a de que perseguir boas políticas públicas no banco também passa por construir consensos em torno delas. “Sempre brinco que o BNDES é um mini governo. Sabemos que no setor privado – sem menosprezar os desafios dessa gestão –, pode-se trabalhar com o artifício do ‘manda quem pode, obedece quem tem juízo´, pela facilidade de se demitir vozes dissonantes.  Numa instituição em que há estabilidade, entretanto, as coisas não funcionam assim, é preciso aprender a aparar arestas”, afirma. “Uma das coisas que aprendemos na literatura sobre desenvolvimento econômico das últimas três décadas é que instituições contam. Crescimento e instituições fortes estão associadas a países mais desenvolvidos. O que vem primeiro não cabe aqui discutir; mas se queremos um país desenvolvido, temos que valorizar as políticas públicas instrumentalizadas por instituições como o BNDES, com sua capacidade de planejamento, coordenação e execução de financiamento”, diz. E de cujo reservatório de conhecimento gerado, completa, pode-se ter uma amostra nesse livro. 

O labirinto visto de cima: saídas para o desenvolvimento do Brasil  terá lançamento presencial no Rio de Janeiro dia 10 de junho, às 19h, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon. 

 


As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.