Em Foco
Esperando a onda passar
Por Claudio Conceição, do Rio de Janeiro
A onda de contágio da Ômicron no mundo parece estar arrefecendo. Em vários países, as curvas das médias móveis de novos casos – o meio mais seguro de verificar uma tendência – começam a embicar, vagarosamente, para baixo. No Brasil, onde o contágio chegou mais tarde, isso ainda não está ocorrendo, mas as previsões são de que em duas a três semanas a mesma tendência deve ser observada por aqui.
Estamos com grande parcela da população imunizada com a segunda dose. Iniciamos a vacinação de crianças e adolescentes e temos um índice considerável de terceira dose. Os números, no entanto, não podem estar espelhando corretamente a realidade, pois o site do Ministério da Saúde ainda não foi regularizado, depois do ataque de hackers no ano passado. Com isso, a quantidade de pessoas imunizadas com a segunda dose está empacada, há vários dias, na casa dos 69%.
Janeiro foi um mês aterrador. Grande parte da exponencial elevação de novos casos no mundo saiu dos Estados Unidos. Só em janeiro, foram 20,2 milhões, 59% do total dos 34,2 milhões registrados em todo o ano de 2021. As mortes também subiram, mas em proporções bem menores ao número de infectados. É bom lembrar que nos Estados Unidos, com grande parte da população obesa, e com movimentos antivacina, a propagação do vírus torna-se mais fácil.
No Brasil, o mês passado também foi de volta do medo, apreensão, com o vírus contaminando 3,1 milhões de pessoas, pelos dados oficiais. Há alguns estudos que mostram que esse número pode ser duas a três vezes maior, devido a subnotificações. Como no resto do mundo, pequena alta no número de mortos.
Covid-19 – Estados Unidos
Novos Casos

Fonte: The New York Times e Worldometer.
Mortes

Fonte: The New York Times e Worldometer.
Covid-19 – Brasil
Novos casos

Fonte: Consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de saúde.
Mortes

Fonte: Consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de saúde.
Na corrida da ciência para encontrar vacinas e medicamentos que combatam a Covid-19, um estudo divulgado no final de semana sobre a eficácia da ButanVac, a vacina que está sendo desenvolvida pelo Instituto Butantan, mostrou alta eficácia do imunizante.
Conforme pesquisa feita pelo Comitê Nacional de Ética em Pesquisa Biomédica do Ministério da Saúde do Vietnã, onde a vacina está sendo testada, resultados preliminares da fase 2 dos estudos mostraram que quem tomou a segunda dose da ButanVac teve um aumento de anticorpos quatro vezes superior a quem tomou a AstraZeneca. A pesquisa foi feita em 374 voluntários com idades entre 18 e 59 anos e 60 anos ou mais do distrito de Vu Thu, província de Thai Binh, no Vietnã. Com base nesses resultados preliminares, deve ser iniciada a fase 3, com um número maior de voluntários.
A corrida por vacinas que gerem mais proteção, bem como de novos medicamentos, é uma espantosa evolução da ciência que, em tempo recorde, produziu uma série de vacinas que possibilitaram que a pandemia não fosse mais devastadora.
Agora, aguardar a Ômicron passar e renovar as esperanças de que essa seja, finalmente, a última onda, para que a vida volte ao normal.
As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.