Minerais estratégicos: o erro que o Brasil não pode cometer

Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro
O grupo de minerais reconhecidos como estratégicos para a transição energética mundial, a digitalização e a indústria de defesa tem redesenhado estratégias nacionais e cadeias produtivas. Levantamento do Instituto Brsaileiro de Mineração (Ibram) de 2025 aponta que o Brasil está em quarto lugar entre os mercados promissores para suprir a demanda global de minerais críticos e estratégicos (MCEs) em nível global, “detendo mais de 15% das reservas mundiais de grafita, terras raras, níquel e manganês”. O país é detentor de mais de uma centena de substâncias minerais, sendo hoje o minério de ferro o de maior expressão na pauta de exportações.
O baixo grau de adensamento das cadeias de valor de minerais, entretanto, coloca o país no grupo de prioritariamente exportadores, e isso preocupa analistas. Na Conjuntura Econômica de junho, Gabriel Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, destaca que o país poderá ganhar relevância nesse rearranjo global, desde que evite que “essa nova fronteira mineral reproduza um velho padrão: exportar riqueza bruta e importar valor agregado”. Estados Unidos, Europa e China já tratam o tema como prioridade estratégica, reforça Barros.
Como fazê-lo? Em seu estudo, o Ibram destaca que os MCEs figuram, direta ou indiretamente, nas missões relacionadas ao plano de desenvolvimento produtivo do governo federal, o Nova Indústria Brasil (NIB), o que já seria uma trilha riscada na direção ao valor agregado que se busca.
Em seu artigo, Barros cita o PL 2780/24, aprovado na Câmara e em análise no Senado, que também reconhece que “a vantagem geológica do Brasil só fará diferença econômica se vier acompanhada de industrialização, financiamento e previsibilidade regulatória”. Barros alerta, entretanto, para problemas no desenho. “Ao ampliar a discricionariedade estatal sobre projetos e decisões empresariais, o texto corre o risco de elevar burocracia, insegurança jurídica e custo de capital justamente em um setor intensivo em prazo longo, tecnologia e investimento.”
Em seu texto, o economista ilustra duas lições que experiências latino-americanas mostram sobre o que evitar: “modelos excessivamente fechados e centralizados tendem a produzir atraso e baixa execução, e modelos abertos, mas limitados à exportação de commodities, que geram estabilidade e renda, mas pouco avanço nas etapas mais sofisticadas da cadeia.”
É possível escapar de ambos, defende Barros, combinando “atração de investimento, transferência de tecnologia, exigências factíveis de agregação de valor e inserção competitiva nos elos em que o país pode, de fato, construir vantagem”.
Leia a íntegra do artigo na Conjuntura Econômica de junho.
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