Edição de março de 2025
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Ao abrir esta edição, certamente você já terá se deparado com matérias sobre os cinco anos da pandemia de Covid-19. Provavelmente, também terá feito um balanço de sua própria vida desde aquele 11 de março de 2020, quando a onda mundial de contágio pelo SARS-CoV-2 foi caracterizada como pandemia pela Organização Mundial de Saúde, e o planeta mergulhou em um cenário impensável, com pinceladas de distopia, amedrontado por uma ameaça altamente mortal da qual pouco se sabia.
Diante das primeiras medidas de segurança sanitária oficialmente divulgadas, era difícil imaginar que o isolamento social durasse tanto tempo. Tampouco se pensava que o Brasil perderia tantas vidas para o vírus – pouco mais de 715 mil no cômputo mais recente do Ministério da Saúde, colocando o país entre os líderes em número absoluto de mortes oficialmente registradas no mundo.
Para esta revista, o desafio foi similar ao de muitos meios de comunicação. As incertezas relacionadas à garantia de distribuição da edição impressa em meio ao lockdown, somadas ao avanço tecnológico que possibilitou a manutenção de diversas atividades de forma remota, levou a publicação ao seu atual formato, 100% digital e gratuito. Também foi o senso de urgência da pandemia que nos chamou a consolidar um canal de atualização de informações de forma mais tempestiva, com o lançamento do Blog da Conjuntura Econômica nesse mesmo ano de 2020.
No Blog e na revista, pudemos registrar o dedicado trabalho dos pesquisadores do FGV IBRE, seja na produção de indicadores especiais que ajudassem a compreender as expectativas de empresários e consumidores em meio a uma explosão de incertezas, seja na árdua tarefa de identificar horizontes possíveis para a macroeconomia brasileira e global diante de tamanho choque sanitário, sem similares contemporâneos. Resgatamos aqui um pouco desta história, e conversamos com parte desses pesquisadores, além de especialistas convidados, sobre as lições que ficaram desse período para o Brasil e o mundo.
Boa leitura.
Solange Monteiro – solange.monteiro@fgv.br
Carta do IBRE – Oferta de alimentos cai com mudança climática e preços sobem
O descolamento para cima do preço dos alimentos em relação aos preços ao consumidor como um todo não é de hoje. André Braz aponta que a diferença cumulativa da evolução do IPCA cheio e de seu componente alimentação no domicílio de janeiro de 2020 até o final de 2024 é de 30,7%. Nesta Carta, avaliam-se diferentes fatores que colaboram para essa alta. Entre eles, a influência das mudanças climáticas e da degradação do meio ambiente nos ganhos de produtividade agrícola e a perda de ritmo de crescimento – com casos até de até retração – das lavouras de alimentos voltados especialmente para consumo humano. Ainda, a expressiva desvalorização cambial, que estimula exportação de alimentos, além de o repasse cambial aos preços dos alimentos ser quase o triplo daquele observado na cesta média ponderada de produtos do IPCA.
Ponto de Vista – A economia em 2024
Em 2024, o crescimento brasileiro foi liderado pela demanda em uma economia que opera a plena carga. Evidentemente, a inflação encontra-se muito elevada. Em 2024, o IPCA fechou em 4,8%. Em 2025, esperamos que as políticas monetária e fiscal estejam mais sincronizadas. A grande dúvida é se o presidente Lula aceitará a desaceleração com seus impactos ruins sobre o emprego – mas impactos positivos sobre a inflação – para chegar melhor em meados de 2026.
Entrevista – “No Brasil, para criar despesa nova, não existe oposição”
Nesta conversa para a Conjuntura Econômica, a economista Zeina Latif, reconhecida por sua carreira no mercado financeiro e pela experiência como secretária de Desenvolvimento Econômico do estado de São Paulo, aponta a falta de responsabilidade compartilhada para execução das metas fiscais, destacando que outros poderes além do Executivo são responsáveis pelas escolhas de alocação de recursos públicos.
Capa | Pandemia – Cinco anos após a proliferação global da Covid-19, especialistas em distintas áreas comentam lições deixadas pela crise sanitária
No mês que marca os cinco anos da declaração da pandemia de Covid-19, convidamos pesquisadores do FGV IBRE, entre outros especialistas, a fazer um balanço do impacto da crise sanitária, e tratar das lições que esta deixou em distintas áreas. Na economia, uma constatação prevalece: a de que problemas no campo da inflação e do fiscal que hoje enfrentamos pouco têm relação com a Covid-19.
Artigos
Repasse dos impostos aos preços dos alimentos
Maurício Canêdo Pinheiro
Um mundo de incertezas: a era Trump no comércio
Lia Baker Valls Pereira
Mercado de trabalho aquecido, porém precarizado
Nelson Marconi
A jornada de trabalho 6x1 na última década
Bruno Ottoni
A curva de juros prefixada como um bem público
Thiago Rabelo Pereira e Marcelo Miterhof
O Porto de Sepetiba e o sustentável desenvolvimento econômico regional
Luiz Firmino, Rafael Souza e Paulo Canedo
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