Parcela de mulheres na população ocupada nunca foi tão grande
Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro
Em artigo para a revista Conjuntura Econômica de julho, Bruno Ottoni, especialista sênior da FGV Projetos, destaca que no primeiro trimestre deste ano a parcela de mulheres entre a população ocupada foi a maior para o período desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) trimestral do IBGE, em 2012.
No texto, Ottoni apresenta alguns fatores que podem justificar esse fenômeno, além do bom momento do mercado de trabalho refletida em uma taxa de desemprego de 7%, também o menor valor da série, impulsionado pelo dinamismo da atividade econômica e a proporção de pessoas em idade ativa no total da população.
Sobre isso, ele destaca:
“No primeiro trimestre de 2025, a população ocupada (PO) chegou a 102,4 milhões de pessoas, recorde histórico que acompanha a sequência de quedas registradas recentemente na taxa de desemprego. Além do baixo desemprego, a alta na PO é um reflexo do ápice do bônus demográfico, que foi atingido em 2020, sendo responsável pelo crescimento da população em idade ativa (PIA) — pessoas entre 15 e 64 anos —, que ultrapassou os 151 milhões no primeiro trimestre de 2025. O fenômeno representa um momento único para a economia do país, uma vez que há uma parcela menor de indivíduos dependentes (crianças e idosos) em comparação à força de trabalho potencial.”
A participação das mulheres no total da população ocupada no primeiro trimestre de 2025 foi de 43% do total; para uma representação de 51% no total da população em idade para trabalhar. Ottoni destaca que um dos elementos que contribuem para as mulheres ganharem espaço na população ocupada é o fato de serem mais longevas, ainda que tendam a entrar para o mercado de trabalho mais tarde do que os homens. “Há uma proporção maior de pessoas com 25 a 64 anos na PO feminina (83,5%) do que da PO masculina (81,9%)”, destaca Ottoni.
Outro elemento que joga a favor das mulheres é o de que, na média, estas possuem 1,2 ano de estudo a mais que o homem – o que pode justificar a entrada mais tarde no mercado de trabalho. O pesquisador ilustra que 38,5% das ocupadas possuem ensino superior completo ou mais, enquanto, entre os homens, esse índice é de apenas 25,4%.
Trajetória da população ocupada total e a parcela de mulheres empregadas entre 2012 e 2025
(primeiro trimestre de cada ano)

Fonte: PNAD Contínua Trimestral – IBGE. Elaboração: própria.
Esse maior nível médio de escolaridade, entretanto, não se reflete nos salários. “Apesar da qualificação mais elevada, as mulheres concentram-se nas faixas de menor renda: mais de um terço (38,5%) das mulheres ocupadas recebem um salário-mínimo (SM) ou menos, enquanto entre os homens essa proporção é de 29,3%”, diz Ottoni, destacando “a persistente disparidade salarial entre homens e mulheres no mercado de trabalho brasileiro”. Ele também ressalta a menor parcela de negros na população ocupada feminina do que na masculina (53,9%, contra 57%), “o que pode refletir uma maior barreira à entrada da mulher negra no mercado de trabalho”.
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