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12 Nov 2024

Webinar | Índices de preços para o setor de máquinas e equipamentos

Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro

Em outubro, o IPA, índice de preços que sinaliza a evolução da inflação na cadeia produtiva, fechou em acentuada aceleração em relação a setembro, e no acumulado de 12 meses já registra alta de 5,9%, prenunciando a pressão de preços que os consumidores deverão encontrar nas gôndolas. "Não à toa, diz-se que o IPA é grávido do IPCA", diz André Braz, superintendente de Índice de Preços do FGV IBRE, apontando a importância desse índice como preditor do comportamento dos preços em distintas atividades. “Há muitas matérias-primas, por exemplo, pouco sensíveis à ação da política monetária para regular preços. Commodities que obedecem a preços internacionais, mais afetadas por variações cambiais, ou produtos mais visados como alvo de políticas comerciais com alta de impostos, são exemplos”, diz.

O IPA é o índice com maior peso dentro do IGP-M, formado ainda pelo IPC (Índice Geral de Preços) e o INCC (Índice Nacional de Custos da Construção). Por mostrar a variação de preços em três diferentes estágios de processamento – matérias-primas brutas, bens intermediários e bens finais – tem a capacidade de identificar as nuances da variação da inflação em cada segmento de atividade.

Em webinar promovido nesta segunda-feira (11/11), Braz destacou o uso, por diversos setores, dos dados do IPA no planejamento de seu negócio. Um dos exemplos foi dado por Otavio Vicente, analista de pricing da Simak Rent, empresa mineira de aluguel de caminhões e equipamentos da chamada linha amarela – como escavadeiras e tratores -, com mais de 150 clientes no país. “Quando houve a pandemia, tivemos uma variação de preços acentuada. O lockdown impactou o ciclo de montagem e produção de equipamentos, e o retorno da demanda aconteceu de forma mais veloz que a capacidade de produção”, lembrou. “Isso impactou também o fornecimento de peças de reposição, encarecendo o custo de manutenção. Contar com índices que refletiam esse movimento foi fundamental para, no momento de revisar contratos de longo prazo, traduzir para nossos clientes a realidade do mercado e a necessidade de reajustar preços”, ilustrou.  

Máquinas e equipamentos
Evolução da taxa mensal (%)

 

Evolução da taxa interanual (%)

Fonte: FGV IBRE.

Vicente ainda citou a importância de acompanhar o comportamento de preços relacionados à cadeia de produção dos clientes da Simak, como empresas do setor siderúrgico. “É um grande aprendizado compreender as estruturas de custo, e identificar impactos tanto dentro do nosso negócio quanto aqueles que podem chegar do cliente. Isso nos ajuda a construir expectativas quanto à demanda futura, compreender melhor o comportamento dos setores em cada ciclo.” Para 2025, ele afirma que as expectativas no segmento de aluguel de caminhões e equipamentos é positiva, “refletida em novos entrantes no mercado, quanto à projeção de clientes potenciais”, afirmou. “É no segundo semestre que os grandes tomadores começam a planejar o orçamento do próximo ciclo, e tanto o nível de consultas que recebemos e quanto o perfil de locação indicado apontam a um cenário positivo.”

Braz afirma que a evolução recente do segmento de bens de investimento, do qual as máquinas e equipamentos fazem parte, têm registrado acomodação de preços, não sendo os “vilões” do IPA. “O segmento de máquinas e equipamentos até registra certa alguma alta na margem, mas ainda assim se trata de variações bem abaixo da registrada pelo IPA, que registrou uma disparada nos últimos meses, em função especialmente de alimentos e energia”, disse.

Materiais e componentes para construção
Evolução da taxa interanual (%)


Fonte: FGV IBRE.

Isso pode ser observado também nos setores de materiais de construção e embalagens, cujas variações na margem estão muito abaixo do agregado do IPA. Nesses dois casos, entretanto, a taxa interanual, que neutraliza comportamentos sazonais, demonstra alinhamento com o IPA. “No caso do setor de materiais de construção, observamos um mercado muito aquecido, mesmo com sob um cenário de aumento de juros. No caso do setor de embalagens, por sua vez, a maior alta se deu em meados do ano, quando o mercado planeja sua demanda, visando às compras de fim de ano.”

Embalagens


Fonte: FGV IBRE.

No evento, Braz ressaltou que o IPA passou por uma reestruturação, na qual foram introduzidos novos itens e outros menos usados foram descontinuados, preservando-se a série histórica. “Nosso objetivo é garantir a maior aderência do índice à realidade, aprimorando a análise sobre o que os insumos podem antecipar da dinâmica de preços de vários segmentos da atividade econômica.” O IPA com a nova ponderação passará a vigorar em janeiro de 2025.

Detalhes sobre a metodologia de reestruturação do IPA podem ser conferidos aqui.  

 


As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.