Copom: Selic sobre 0,5 ponto percentual, em clima negativo
Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro
Ontem (6/11), o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) aumentou a taxa básica de juros em 50 pontos base, para 11,25% ao ano. Livio Ribeiro, pesquisador do FGV IBRE, destaca que a decisão se dá sob a manutenção de um cenário de assimetria altista para a inflação. “O comunicado do Copom manteve o tom negativo da comunicação anterior. Mais importante, fica claro que aumentos do ritmo de ajuste e do orçamento total de juros estão no radar do Banco Central, sendo uma discussão vívida para as próximas reuniões do Comitê”, afirma.
Ribeiro, afirma que sua previsão de que o atual ciclo de alta da Selic feche em 12,5% ao ano em meados de 2025, deverá ser revisto, a depender do que os diretores do BC apresentarão na Ata, na próxima reunião, bem como “da evolução do cenário após o choque causado pela eleição de Trump”. Para o pesquisador, “há boas chances de que o ritmo de elevação da Selic suba para 75 pontos base já na reunião de dezembro, “o que teria implicações sobre o orçamento total de juros”. Ribeiro também ressalta que esse orçamento não deverá ser suficiente para garantir o cumprimento da meta da inflação. Em entrevista ao Estado de S. Paulo (link, acesso restrito a assinantes do jornal), José Julio Senna, chefe do Centro de Estudos Monetários do FGV IBRE, sinalizou o mesmo diagnóstico, reforçando a análise feita em entrevista à Conjuntura Econômica de outubro de que a magnitude da expansão fiscal operada na economia brasileira dificulta o cálculo do patamar necessário de Selic para encaminhar a inflação à meta. “No momento, uma coisa é certa: o Banco Central está restrito em suas ações”, afirmou ao Estadão. Senna considera que o Copom poderá anunciar mais quatro aumentos de 0,5 ponto percentual. “No começo de 2025, tem um novo presidente (do BC). E é da tradição que os comandantes de autoridade monetária precisem dar sinais fortes logo na largada para, digamos assim, adquirir credibilidade. A minha interpretação é de que o futuro presidente Galípolo valoriza muito isso”, afirmou, indicando a probabilidade de uma alta de 0,5 pp em janeiro e outra em março.
Para Senna, essa trajetória dependerá em parte da qualidade do pacote de corte fiscal que o governo está por anunciar. Quanto ao impacto da eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, ele afirmou que o melhor quadro para o Brasil será corrigir o rumo fiscal rapidamente para controlar a inflação com juros não tão altos. “A vitória de Trump torna a virada do campo fiscal mais urgente”, afirmou ao repórter Luiz Gerbelli.
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