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05 Nov 2024

Confiança de empresários e consumidores em direções opostas em outubro, aponta Síntese das Sondagens

Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro

Os indicadores do FGV IBRE que medem a confiança empresarial e do consumidor fecharam outubro em direções apostas. Como mostra a Síntese das Sondagens do mês, enquanto o Índice de Confiança Empresarial (ICE) avançou 0,7 ponto, o índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuou na mesma magnitude (-0,7 ponto), após quatro meses de alta.

Entre as empresas, a evolução da confiança foi positiva tanto na avaliação da situação atual quanto das expectativas – neste caso, com destaque para a melhora nas previsões de demanda para três meses à frente. Na abertura da confiança por setor, observa-se desempenhos mistos. O setor de serviços se destacou com alta de 1,5 ponto – “reflexo dos bons resultados em termos de emprego e renda”, observa Stéfano Pacini, economista do FGV IBRE –, enquanto comércio e indústria registraram recuo – respectivamente, de 1,2 e 0,6 ponto. Já a confiança da construção sinalizou estabilidade, marcando uma postura mais cautelosa diante de fatores como alta de juros e mudanças nas regras de financiamento imobiliário da Caixa, como comentou Ana Maria Castelo ao Blog (leia aqui).

Indústria: piora da confiança é concentrada em dois segmentos


Fonte: FGV IBRE.

No caso da indústria, Pacini destaca que o recuo registrado em outubro se concentra nos segmentos de bens de consumo não-duráveis e bens intermediários, este último marcando o segundo recuo seguido. Em ambos os casos, os resultados acumulados em setembro e outubro não superam a alta registrada em agosto. No resultado agregado, destaca-se a piora das perspectivas futuras, com o indicador de estoques entrando para o território que indica nível acima do desejável ou excessivo, e queda de 4,4 pontos no indicador que mede a produção prevista, marcando o pior resultado desde novembro de 2023.

No setor de comércio, houve queda de confiança em três dos seis segmentos analisados: veículos, motocicletas, parte e peças; hipermercados e supermercados e outros varejistas. Já os segmentos de móveis e eletrodomésticos e vestuário e calçados registraram altas significativas em relação a setembro – respectivamente, de 5,9 e 6,4 pontos.

Comércio: apenas segmento de veículos registra confiança na casa dos 100 pontos


Fonte: FGV IBRE.

Entre os consumidores, houve melhora na avaliação da situação atual (2 pontos) e piora no índice que mede expectativas (-2,5 pontos), ainda que este último permaneça mais próximo da neutralidade (99,7 pontos) do que o índice que mede a situação atual (83,7). O encolhimento da confiança se deu em todas as faixas de renda à exceção da faixa 2, dos consumidores com renda entre R$ 2,1 mil e R$ 4,8 mil. Anna Carolina Gouveia, economista do FGV IBRE, indica que os quesitos que mais sofreram queda foram a avaliação sobre as finanças futuras (-2,8 pontos) as perspectivas para a situação futura da economia (2,3 pontos) e o ímpeto de compra de bens duráveis (2,1 pontos). Gouveia ressalta que o Índice de Confiança do Consumidor havia registrado quatro altas consecutivas até setembro, e que o recuo registrado em outubro pode sinalizar acomodação das expectativas para o final do ano.

Ainda que o ânimo recente do mercado seja de dúvidas quanto à trajetória fiscal brasileira, refletidas na trajetória dos juros de longo prazo, o Indicador de Incerteza do Brasil (IIE-Br) registrou recuo em outubro, mantendo a tendência observada desde junho. Gouveia afirma que o resultado parece refletir o desempenho acima do esperado da economia no terceiro trimestre, bem como a expectativa, “ao longo da maior parte do mês”, do anúncio de medidas de ajuste fiscal. “O ruído nos mercados motivado pela postergação desse anúncio se deu na semana iniciada em 28/10, posteriormente ao fechamento da coleta de dados, em 26/10”, salienta.

 


As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.