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16 Set 2025

Edição de setembro de 2025

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No fechamento desta edição, os olhos do Brasil estavam voltados para o julgamento e condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus por um grupo de crimes entre os quais figuram a tentativa de golpe de Estado e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) é única na história do país. Além de influenciar o futuro político da direita, o resultado também entrou no cálculo de risco dos exportadores que têm os Estados Unidos como destino de suas vendas. Desde a carta de 9 de julho com a qual o presidente Donald Trump anunciou a sobretaxação de 50% às importações de origem brasileira, cuja abertura foi dedicada a criticar a então condição de réu de Bolsonaro, os exportadores brasileiros ficaram mais expostos a essa estratégia comercial que, desde seu início, mostrou não se limitar a alvos comerciais.

Como destacado por especialistas ouvidos pela Conjuntura, o curto prazo não tem sido bom conselheiro, diante de tal nível de imprevisibilidade no campo externo. Ainda que seja possível uma ampliação da lista de isenções, ou mesmo uma redução de percentuais, dificilmente haverá uma reversão completa do protecionismo que reveste essas decisões, e que há vários governos vem se consolidando nos EUA, como lembra Lucas Ferraz, coordenador do Centro de Estudos de Negócios Globais da FGV, na entrevista do mês. Ainda assim, como defende Lia Valls (FGV IBRE), os países devem continuar procurando meios para resolver os temas comerciais num contexto de normas negociadas. Para o Brasil, a tarefa é não desperdiçar a janela de oportunidade que pode ser aberta nessa conjuntura de incertezas, em meio à movimentação global em busca de reduzir sua dependência do mercado americano.

Entre diferentes temas tratados nos artigos deste mês, que vão da viabilidade da tarifa zero nos ônibus urbanos à pejotização, o planejamento fiscal também não saiu radar. Fabio Giambiagi (FGV IBRE) apresenta um cálculo ilustrativo de qual teria sido o desempenho fiscal brasileiro no período 2023-2026 se o salário mínimo fosse reajustado apenas pelo INPC, e qual será o impacto futuro caso a atual regra – que prevê reajustes reais com base no crescimento do PIB de dois anos anteriores – não seja reformulada. Vai gerar debate.

Boa leitura.

Solange Monteiro – solange.monteiro@fgv.br

 


Carta do IBRE –  É hora de mudar as regras da aposentadoria rural

A aposentadoria rural é um tratamento favorecido cujas regras permanecem inalteradas desde a Constituição de 1988, mesmo depois de várias reformas promovidas na Previdência.  No entanto, não se pode mais justificar esse tratamento favorecido com base em diferenças na expectativa de vida. Pesquisadores apresentam uma proposta de reforma que pode ser um passo importante no caminho de maior equilíbrio das contas públicas, garantindo estabilidade macroeconômica mais perene.

Ponto de Vista –  Finalmente a economia desacelera

Samuel Pessôa analisa as características da atual desaceleração econômica brasileira e por que esta demorou a acontecer, surpreendendo economistas. De 2021 a 2024, o desempenho da atividade brasileira foi sempre melhor do que o projetado. O pesquisador afirma que uma política fiscal expansionista; o início prematuro do ciclo de redução da Selic pelo BC em agosto de 2023 e o bom estado da saúde financeira, tanto das famílias quanto das empresas, explicam essa lentidão.

Entrevista – “Existe um mundo que não corrobora a ojeriza à globalização simbolizada por Trump”

Nesta conversa, Lucas Ferraz, ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, coordenador do Centro de Negócios Globais da FGV, traça um histórico da escalada protecionista dos Estados Unidos e alerta que o Brasil precisa ser estratégico para aproveitar a janela de oportunidade que se abre para novos acordos comerciais, “pois boa parte do mundo vai começar a se movimentar para diminuir a sua dependência do mercado americano”. 

Capa – Rotas incertas

Desde o dia 6 de agosto, quando entrou em vigor a tarifa de importação de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, especialistas passaram a medir o impacto que tal medida poderá significar para as exportações, o PIB e a sobrevivência das empresas mais afetadas pela sobretaxação. Ainda que, no agregado, o impacto para a atividade econômica não seja grande, pesquisadores convergem na defesa de que o ônus de médio prazo pode ser maior, e que o país precisa definir sua estratégia para garantir mercados, ainda que diante de mares turbulentos e um mundo que tende a ser mais protecionista.  

Artigos

O tarifaço de Trump e o futuro do multilateralismo 
Lia Valls

Efeito da regra de indexação do salário mínimo
Fabio Giambiagi

Por que a carteira de trabalho permanece importante
Nelson Marconi

Envelhecimento populacional: oportunidades e desafios
Bruno Ottoni

Juiz de Fora e a revolução do ônibus gratuito
Marcelo Miterhof

Dilemas da universalização do saneamento básico
Alesi Teixeira Mendes

É preciso soprar estratégia
Luiz Firmino

A maldição dos recursos naturais nos municípios
Maurício Canêdo

 


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