Edição de outubro de 2025
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Os presidentes Lula e Donald Trump deverão se encontrar em breve para tratar do tarifaço. Será a prova dos nove quanto à disposição do presidente americano em flexibilizar a sobretaxação na importação de produtos brasileiros, entre as mais altas aplicadas pelo governo dos EUA. Os dias que precederam o avanço para esse agendamento não apontam a uma acomodação da tempestividade tarifária do mandatário. Além de liderar o cessar-fogo na Faixa de Gaza, o destaque da agenda de Trump foi o anúncio de uma nova retaliação tarifária sobre produtos chineses e controles de exportação, em função da decisão da China de limitar o envio de terras raras ao país.
Nesta edição, tratamos de outra vertente da política econômica de Trump com efeitos globais: a busca por um dólar desvalorizado. Para o Brasil, cuja moeda esteve entre as que mais ganharam entre as economias emergentes, o enfraquecimento do dólar contribuiu positivamente em um tema caro para o governo Lula, que é o combate à inflação. O que essa tendência pode significar no médio prazo? Essa é a pergunta que fizemos a economistas, cujas análises você lerá nesta edição.
Estamos também a poucas semanas da 30a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP30, sediada em Belém do Pará. É do Norte do Brasil que se espera o anúncio de metas adequadas para conter o aquecimento global e consensos em temas como formas de financiar essa transição para um mundo neutro em emissões de gases poluentes. Entre as vantagens comparativas que o Brasil apresenta ao mundo nessa agenda está seu potencial de produzir energia elétrica de fontes renováveis, fundamentais quando se leva em conta que parte da descarbonização perseguida no mundo vem do aumento da eletrificação em substituição ao uso de combustíveis fósseis, como na alimentação de automóveis, além de seu uso na produção de moléculas de energia, como no caso do hidrogênio verde.
Hoje, entretanto, esse mercado vive desequilíbrios que colocam esse potencial em risco, resultando em energia cara para muitos consumidores, e cortes em percentuais não triviais em usinas solares e eólicas devido a riscos operacionais gerados por sobreoferta. Conversamos com Joisa Dutra, diretora do Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura (FGV Ceri) sobre os passos necessários para reorganizar esse mercado – em debate na Medida Provisória 1.304/2025, do novo marco legal do setor elétrico – e não desperdiçar a chance de ser referência mundial na transição energética.
Boa leitura.
Solange Monteiro – solange.monteiro@fgv.br
Carta do IBRE – Mudanças etárias e educacionais indicam que mercado de trabalho está menos aquecido do que parece
Pesquisadores do FGV IBRE demonstram que fatores estruturais justificam o fato de a queda do desemprego no Brasil não ter trazido pressão inflacionária. Foram realizados exercícios contrafactuais que fixam a composição educacional, a composição etária e a interação entre ambas nos níveis de 2016, ano anterior à reforma trabalhista. ao se controlar os efeitos decorrentes da evolução do binômio educação-demografia, o mercado de trabalho apresentaria desempenho substancialmente mais modesto.
Ponto de Vista – Dilemas da política fiscal
Nesta coluna, os economistas Samuel Pessôa, Mansueto Almeida e Fabio Serrano defendem que o ajuste das despesas primárias federais passa, necessariamente, por mudanças nas regras de indexação do gasto público e nos critérios de concessão de benefícios sociais. “Trata-se de reconhecer que alinhar o crescimento do gasto primário federal à expansão da economia brasileira exige enfrentar esses pontos estruturais“, afirmam.
Entrevista – “É urgente aprimorar mercados e a formação de preços no setor elétrico”
Os recentes e frequentes cortes na geração de energia eólica e solar no Brasil são reflexos de que o potencial brasileiro de prover energia limpa, abundante, segura e a preços competitivos tropeça no atraso da renovação do marco legal do setor. Nesta conversa, Joisa Dutra, diretora do Centro de Estudos e Regulação em Infraestrutura (FGV Ceri), detalha o histórico recente do setor elétrico brasileiro elétrico apontando os desequilíbrios que hoje colocam em risco o horizonte de investimento no setor.
Entrevista II – “O mais importante é a previsibilidade orçamentária”
Luiz Guilherme Mello, diretor de Planejamento do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT), fala sobre os desafios de financiamento para projetos da autarquia e de investimentos em pesquisa visando a uma engenharia mais resiliente, voltados a eventos climáticos extremos e soluções que visem a uma menor pegada de carbono.
Capa – Fator dólar
Desde o dia 6 de agosto, quando entrou em vigor a tarifa de importação de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, especialistas passaram a medir o impacto que tal medida poderá significar para as exportações, o PIB e a sobrevivência das empresas mais afetadas pela sobretaxação. Ainda que, no agregado, o impacto para a atividade econômica não seja grande, pesquisadores convergem na defesa de que o ônus de médio prazo pode ser maior, e que o país precisa definir sua estratégia para garantir mercados, ainda que diante de mares turbulentos e um mundo que tende a ser mais protecionista.
Artigos
O mito da neutralidade no IBS/CBS
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