Voltar
16 Jul 2025

Edição de julho de 2025

Clique aqui para ler a versão digital da Conjuntura Econômica.

Esta edição foi concluída sob a tensão do tarifaço de 50% anunciado pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump às importações brasileiras, sob justificativas que extrapolaram o âmbito comercial. Com o fim da trégua tarifária do Liberation Day, no início de julho, outros países também receberam o comunicado de Trump com novas e altas tarifas, ainda que nenhuma na magnitude da brasileira. Enquanto a montanha-russa de expectativas em que Trump colocou o mundo impede projeções sólidas sobre o futuro do comércio mundial e o impacto nas cadeias de produção globais, nosso foco se concentrou em temas não triviais da agenda doméstica. A começar pelos esforços em reduzir a lacuna de investimentos na infraestrutura de transporte brasileira, tarefa que implica conciliar deficiências históricas com demandas emergentes, como mostra a matéria de capa.

Apesar do amadurecimento institucional em diversas frentes, que contribui para a ampliação do número de concessões como acontece no setor rodoviário, as lições aprendidas nas últimas décadas também apontam ao imprescindível apoio do setor público para destravar projetos em modais como o ferroviário, apontam os especialistas ouvidos pela revista. O que remete, por sua vez, ao necessário equilíbrio fiscal, bem como à reorganização da alocação orçamentária. Diante das demandas presentes, é incompatível um volume de emendas parlamentares da ordem de R$ 50 bilhões, afirma Venilton Tadini, diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Base (Abdib). O assunto também é tratado pelo pesquisador Bráulio Borges, que assina a coluna Ponto de Vista desta edição.

Outro tema que tem ocupado a agenda de empresas e governo é o início da transição dos impostos sobre o consumo para o IVA dual – CBS e IBS –, a partir de janeiro de 2026. Sobre esse assunto falamos com Marcos Cintra, professor titular da FGV Eaesp, que também nos detalha sua trajetória de mais de três décadas na defesa de um imposto único sobre movimentações financeiras.

Boa leitura.

Solange Monteiro – solange.monteiro@fgv.br

 


Clique aqui para ler a versão digital da Conjuntura Econômica.

Carta do IBRE –  O “novo PIB” e algumas sugestões para aperfeiçoar a agenda estatística nacional

Uma ampla revisão das principais estatísticas socioeconômicas brasileiras elaboradas pelo IBGE está programada para ocorrer entre 2024 e 2027. O foco desta Carta são as Contas Nacionais, para as quais estão previstas mudanças como a troca do ano-base de 2010 para 2021, a introdução do Censo Agropecuário 2016/2017, a POF 2017/2018 e o Censo Demográfico de 2022. Diante dessa carregada agenda, pesquisadores traçam algumas recomendações, como a de não divulgar a revisão das Contas Nacionais em ano eleitoral.

Ponto de Vista –  Para replicar padrão dos EUA, emendas parlamentares no Brasil deveriam ser no máximo de R$ 6 bilhões

A lentidão no ritmo de pagamento das emendas parlamentares este ano, que contribui para piorar o clima entre Congresso e governo federal, também reacendeu o debate sobre o gigantismo alcançado pelas emendas no país. Como referência para esse debate, Bráulio Borges compara o tamanho das emendas no Brasil e nos EUA. Tomando como base a regra dos EUA que fixa o teto de 1% das despesas discricionárias, esses gastos no Brasil deveriam ter sido de R$ 2 bilhões em 2024. Levando em conta outras métricas, como percentual do PIB e percentual do gasto primário total, o montante não deveria ultrapassar US$ 5,9 bilhões.

Entrevista – “Seremos cobaias de uma experiência tributária arriscada”

Governo e empresas arrumam a casa para que em janeiro de 2026 comece a transição para o novo sistema tributário brasileiro sobre o consumo. Para Marcos Cintra, professor titular da FGV Eaesp, o período de gradual instalação do IVA dual – CBS e IBS – será um laboratório envolvendo riscos não triviais, que ele analisa nesta entrevista, na qual também conta sua trajetória na defesa do imposto único sobre movimentações financeiras. 

Entrevista II – A marcha para o oeste da produção brasileira

João Villaverde, secretário de Articulação Institucional do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), apresenta a evolução do programa das cinco Rotas para a Integração e Desenvolvimento Sul-Americano, com as quais o governo pretende realizar um objetivo perseguido desde a Iirsa, há mais de duas décadas.

Capa – Caminhos para o desenvolvimento

O crescimento dos investimentos públicos e privados na infraestrutura logística brasileira nos últimos anos foi acompanhado de uma avaliação de melhora no planejamento, governança e estrutura de financiamento para projetos. Essa evolução, entretanto, ainda não é disseminada entre todos os modais, tampouco provocou uma expansão dos investimentos suficiente para reduzir a persistente lacuna que separa o Brasil de garantir a modernização dessa infraestrutura.

Artigos

Qual foi a importância da Cúpula do BRICS?
Lia Valls

Mais mulheres no mercado de trabalho: parcela de mulheres na população ocupada nunca foi tão grande
Bruno Ottoni

Por que os pejotizados vêm crescendo tanto? Uma comparação entre os por conta própria e os empregados com carteira
Nelson Marconi

Apoio à inovação aumenta o emprego?
Maurício Canêdo Pinheiro

Os desafios da revolução industrial das externalidades: o caso do biometano
Marcelo Miterhof

Água servida como recurso
Luiz Firmino Pereira

 


Clique aqui para ler a versão digital da Conjuntura Econômica.