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14 Abr 2025

Edição de abril de 2025

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O início de abril foi marcado por uma alucinante escalada na guerra tarifária entre Estados Unidos e China, cuja conta até o dia 11 de abril somava taxas de 145% para as importações americanas de produtos chineses, e de 125% para as importações chinesas de produtos americanos. Tal como ilustrou Livio Ribeiro, pesquisador associado do FGV IBRE, em uma das entrevistas concedidas para analisar a conjuntura externa, EUA e China assumiram o jogo da galinha: são como carros acelerando ao máximo em rota de colisão, à espera de que o outro desvie. A imprevisibilidade sobre os limites dessa aposta e seus impactos para as potências competidoras e o restante do globo chacoalhou os mercados, que só recuperaram parcialmente o fôlego com a notícia da trégua de 90 dias aos demais países envolvidos no tarifaço de Donald Trump e, posteriormente, a isenção geral de tarifas recíprocas para eletrônicos como celulares, computadores e chips.

Nesta edição, Samuel Pessôa apresenta seu diagnóstico sobre a estratégia adotada pelo governo americano para reindustrializar o país. Ele considera que a política tarifária fracassará no intento de trazer de resgatar os empregos industriais que outrora sustentaram a classe média em regiões que, por terem uma estrutura produtiva tão especializada, sucumbiram à concorrência chinesa. “Se conseguirem atrair a indústria, só voltarão robôs”, afirmou ao jornal O Globo. Mas avalia que a tendência de alíquotas mais altas – desde que não sejam impagáveis – permanecerá. Já sobre a defesa do governo de Donald Trump de que o país precisa acabar com o déficit externo, o pesquisador do IBRE ressalta que isso só acontecerá em troca de menor crescimento americano.

Nesta edição, também tratamos da escassez de mão de obra identificada em diversos setores da economia brasileira, mas que chegou primeiro e mais intensamente na construção, como alerta Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE desde o início de 2024. A análise desse setor é particularmente interessante por trazer à tona questões que vão além do ciclo econômico, e não são exclusivas do Brasil. Entre elas, o desafio de preencher vagas em atividades tradicionalmente desempenhadas por trabalhadores mais novos e menos qualificados, sob um quadro demográfico marcado pelo envelhecimento populacional e por uma mudança cultural entre os jovens, que hoje privilegiam maior flexibilidade laboral.

Boa leitura.

 

Solange Monteiro – solange.monteiro@fgv.br

 


Carta do IBRE – Análise dos problemas e melhoras do gasto tributário no Brasil e uma sugestão de agenda

Os gastos tributários (GTs) no Brasil atingiram 6,9% do PIB em 2024, incluindo as esferas federal e estadual. Essa é uma área em que o país fez alguns avanços em termos de transparência, mas muito pouco na governança. Tanto do ponto de vista fiscal quanto da qualidade das políticas públicas, é preciso uma nova agenda para os GTs. Pesquisadores do FGV IBRE que participaram de um country report sobre esses gastos no Brasil estudam contribuições para uma lei de regulamentação geral sobre GTs. Isso possibilitaria unificar e aprimorar a metodologia de estimação em todo o Brasil, permitindo levantar com maior precisão o real custo fiscal dessas políticas e comparar o que é feito na União e em cada Estado.

Ponto de Vista – Dilemas da América

Em “A user’s guide to restructuring the global trade system”, Stephen Marin estabelece as linhas gerais do que seria a política econômica de Trump.. Com relação às tarifas, há base conceitual para que os EUA as elevem. O segundo elemento do pacote de medidas de Marin trata das políticas que afetam a cotação da moeda americana contra os principais parceiros. A aposta da coluna é que a política econômica de Trump causará muito ruído mas não terá bons resultados, e que a elevação das tarifas de importação será perene. Quem viver verá

Entrevista – “Nosso problema de infraestrutura não é uma questão de programa, mas de agenda”

Estimativas do setor da infraestrutura apontam que, em 2024, o ponteiro dos investimentos registrou uma celebrada mexida para cima. Claudio Frischtak, presidente da consultoria Inter.B, que há décadas observa a infraestrutura brasileira com lupa, alerta entretanto que ainda há uma lista de tarefas para se chegar aos 4,2% do PIB em investimentos anuais, nível necessário para modernizar a infraestrutura brasileira.

Capa | Mercado de trabalho – Há vagas

Em 2024, diversos setores, em especial o de construção, identificaram problemas na contratação de mão de obra que se tornaram limitativos para os seus negócios. Ainda que o ciclo de atividade aquecida responda por parte dessa conjuntura do mercado de trabalho, há fatores estruturais que também se sobressaem e que, alertam especialistas, precisam ser endereçados. 

Positions papers

Em casa de bom ferreiro, o espeto é sempre de ferro
Roberto Rodrigues, Antonio Carlos Kfouri Aidar e  Felippe Serigati

O debate necessário
Luiz Guilherme Schymura, Francisco Pessoa Faria, Bráulio Borges e André Braz

Artigos

Há que dizer não para a (possível) fusão Gol e Azul
Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt

A proposta de ajuste no imposto de renda e a questão fiscal
Vilma da Conceição Pinto

Qualquer semelhança é mera coincidência
Gabriel Barros

De como não entendemos a política
Murillo de Aragão

 


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