Vendas de carne para a China e de milho a vários destinos são destaques das exportações brasileiras em outubro

Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro

O Indicador de Comércio Exterior (Icomex) do FGV IBRE divulgado nesta segunda (21/11) aponta uma melhora no volume de commodities exportadas pelo Brasil. Depois da recuperação das vendas do setor agropecuário em agosto - quando registrou a primeira variação positiva desde fevereiro -  não suficiente para tirar as commodities do resultado negativo no acumulado do ano até setembro, puxado pela indústria extrativa, em outubro o volume exportado pelas commodities marcou alta de 1,3% nos nove primeiros meses do ano em relação ao mesmo período de 2021. Na variação em preços, o acuulado do ano registra ligeira queda em relação ao acumulado até setembro, de 16,5% aquele mês para 15,3% na soma de janeiro a outubro.

Lia Valls, coordenadora do Icomex, afirma que os destaques do mês foram os embarques de milho, que foi o terceiro principal produto de exportação em outubro, com 7,5% do total - ultrapassado apenas pela soja (9,1%) e o óleo bruto de petróleo, que liderou as vendas, com 10,4%. “É uma posição incomum para o produto, justificada especialmente pelos efeitos da guerra na Ucrânia e ganhos de produtividade da produção brasileira”, afirma. No acumulado do ano, o milho registra o oitavo lugar entre os produtos brasileiros mais exportados. Outra característica ressaltada por Lia é a diversidade de destinos do milho brasileiro. Em outubro, 20% foram para o Japão, seguido de Espanha, Egito, Irã e Coreia do Sul, com uma participação em torno de 9%, e Vietnã, Arábia Saudita e Colômbia, com cerca de 5% cada. 

Balança comercial commodities e não-commodities 
jan-out, em US$ bilhões


Fonte: Icomex FGV IBRE.

Outro destaque positivo do mês foi o aumento de 1.455% nas exportações de carne para a China em outubro em relação ao mesmo mês de 2021, reforçando os sinais de aumento de participação no país, diz Lia. No acumulado do ano até outubro, os embarques do produto acumulam aumento de 80% em relação ao mesmo período de 2021.  “Esse aumento ajudou a promover alguma diversificação na pauta para a China, com a concentração em soja, minério e óleo bruto caindo de 80% para 76%”, diz Lia.

Em outubro, as exportações para a China em volume cresceram 16%. Outros produtos que registraram significativa alta no mês em relação a outubro de 2021 foram óleos vegetais (1325%), açúcar (132%), algodão (71%), celulose (58%) e carne suína (43%).

Variação (%) no volume e nos preços das exportações, por tipo de indústria 
jan-out 22/ jan-out 21


Fonte: Icomex FGV IBRE.

No agregado, o superávit da balança comercial brasileira acumulado até outubro foi de US$ 51,3 bilhões, US$ 7,2 bilhões abaixo do registrado na comparação com o ano passado. Lia destaca que essa piora se deve ao aumento do déficit do saldo das não-commodities, que aumentou de US$ 89,7 bilhões para US$ 113,7 bilhões. “Esse é um desafio que ainda temos”, diz. No caso da indústria de transformação - que entre janeiro e outubro registra variações de 17,2% e 9,4% em preço e volume, respectivamente - Lia ressalta a importância do papel do comércio da indústria automotiva com a Argentina, com a qual o país registra um aumento de 14,4% no volume de exportações no acumulado do ano até outubro. “Isso mostra que a força do comércio intrafirma entre os países supera questões cambiais e promove certa blindagem do comércio entre os países”, conclui.

Vriação (%) no volume de exportações por mercados 
jan-out 22/ jan-out/21


Fonte: Icomex FGV IBRE.

 


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