Sondagens de maio: o impacto das enchentes no Rio Grande do Sul

Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro

Os resultados de maio das Sondagens do FGV IBRE registraram os primeiros sinais do impacto da tragédia climática no Rio Grande do Sul para a economia brasileira. Da queda observada no Índice de Confiança do Consumidor – de 4 pontos em relação a abril, para 89,2 pontos –, Porto Alegre responde por 3,3 pontos, informa Anna Carolina Gouveia, responsável pela divulgação do Índice. Em maio, a confiança na capital gaúcha caiu 17,7 pontos, para 63,4 pontos. É o menor nível desde a pandemia, destaca a economista, quando a confiança do consumidor de Porto Alegre despencou para 54,2 pontos – em abril de 2020 – acompanhada por outras capitais, ainda que em menor intensidade.

Aloisio Campelo, superintendente de Estatísticas Públicas do FGV IBRE, destaca indícios da tragédia climática também na Sondagem da Indústria. Embora a confiança dos empresários da indústria de transformação tenha registrado alta de 1,2 ponto em maio comparado a abril, em alguns segmentos com forte presença no Sul, esse resultado foi negativo. É o caso do setor de Couro e Calçados, que registrou queda de 11,7 pontos na confiança em maio no agregado do país, para 72,3 pontos, também o menor índice desde a pandemia. “As indústrias de couro e calçados do Rio Grande do Sul representa 27,7% do valor da transformação industrial (VTI) desse setor no Brasil, além de responder por 4,8% da população ocupada”, afirma Campelo. Quando se analisa o total da indústria gaúcha, esta representa 7,7% do VTI brasileiro.

Confiança do consumidor reflete enchentes no Rio Grande do Sul


Fonte: FGV IBRE.

Levantamento realizado pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) indica que 57,9% da massa salarial da indústria de couro e calçados está localizada em regiões que se em maio se encontravam em situação de emergência.

Índice de Confiança – com ajuste sazonal


Fonte: FGV IBRE.

Na contramão dessa tendência, Campelo cita o resultado da confiança no segmento de máquinas e equipamentos, que na Sondagem do IBRE, que abrange a indústria nacional, registrou alta de 4,7 pontos, para 108,7 pontos. Nesse setor, o Rio Grande do Sul tem uma participação de 18,8% no VTI nacional, com destaque para segmentos como o de máquinas agrícolas, onde o estado tem participação significativa também como comprador. Para Campelo, uma das razões pelas quais a confiança desse segmento tenha demonstrado maior resiliência é o aquecimento recente da atividade. Pesquisa Mensal da Indústria (PIM-PF) de abril, divulgada nesta quarta (5/6) pelo IBGE mostra um crescimento de 5,1% em relação a março, para um resultado ainda negativo no acumulado do ano, de -1,1%. Outra possibilidade a se considerar nesse cálculo é uma maior resiliência de companhias maiores. No caso do setor calçadista, a Associação Brasileira de Calçados (Abicalçados), em parceria com outras associações representantes do setor, divulgaram levantamento em que apontam que essa cadeia produtiva registrou 3 mil empresas impactadas pelas enchentes, ressaltando a significativa participação de pequenas e médias empresas.

 

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