A queda da participação argentina nas exportações brasileiras

Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro

Como era esperado, a participação da Argentina nas exportações brasileiras tem registrado importante queda em 2024. O Icomex de maio aponta que, no acumulado de janeiro a abril deste ano em comparação ao mesmo período de 2023, as vendas externas ao vizinho registraram queda de 29,8% em volume. As exportações aos demais países da América do Sul e à União Europeia também registraram queda nesse intervalo, mas em nível menor, e com recuperação na ponta. Em abril, o Brasil exporta 12,6% mais para os demais países da América do Sul do que em abril do ano passado. Para a União Europeia, esse aumento foi de 46,2%. No caso da Argentina, o mês de abril marcou uma queda ainda mais intensa nos embarques, de 34,2% em relação a abril de 2023.

Ao observar essa variação em relação a 2023, é preciso considerar que eventos atípicos no ano passado, como uma seca extrema, favoreceram as exportações brasileiras ao país, que vendeu muito mais soja e energia. Há, entretanto, uma clara perda de participação da Argentina como parceira comercial. No mês passado, a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, expressou na mídia a preocupação do governo com esses resultados, que leva a participação da Argentina no total das exportações brasileiras a um dos menores níveis registrados: de 3,6% em abril, contra 8,5% em abril de 2018, por exemplo. Ainda que esse movimento esteja fortemente justificado por um encolhimento da economia Argentina, para o Brasil representa uma perda importante de mercado para seus produtos manufaturados. Uma das características históricas das trocas comerciais com o vizinho era de significativa participação do comércio intrafirmas, e do setor automobilístico. Neste último setor, aliás, o destaque na balança comercial brasileira neste começo de ano foi a ampliação das exportações chinesas de carros elétricos. No primeiro trimestre, a China foi a origem de 39% do total de veículos para passageiros importados pelo Brasil. Do US$ 1,46 bilhão em importações de automóveis, US$ 569,9 milhões vieram da China. No primeiro trimestre de 2023, essa participação era de 10,3%. Em contrapartida a participação da Argentina caiu de 40,2% em 2023 para 16% este ano.

Variação (%) no volume de exportações por mercado 
(jan-abr/ 24 / jan-abr 23)


Fonte: FGV IBRE.

A boa notícia no mês de abril para as exportações brasileiras foi o aumento do volume exportado para a União Europeia, superando os Estados Unidos e a China. O Icomex destaca que essa alta foi puxada pelas exportações de petróleo, café não torrado e farelo de soja. Outro dado destacado é o de que, em termos de volume, as variações nas exportações para a China têm sido inferiores às dos Estados Unidos.

Exportações brasileiras – destino Argentina – valor em US$ FOB Milhões 
Part. (%) no total Brasil


Fonte: Secretaria de Comércio Exterior / Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

No acumulado do ano até abril, o valor exportado pelo Brasil cresceu 5,7% e o importado, 2,2%, em relação a igual período de 2023, levando a um saldo acumulado de US$ 27,7 bilhões, US$ 4,1 bilhões superior ao do primeiro quadrimestre de 2023. O aumento em valor das exportações e importações, aponta o Icomex é explicado pela alta no volume embarcado, pois os preços caem para as exportações e as importações nas duas bases de comparação, seja mensal, seja no acumulado do ano. O aumento do volume exportado de janeiro a abril em relação ao primeiro quadrimestre de 2023 foi de 10,7%, contra uma queda de 4,2% nos preços. 

 

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