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26 Set 2024

Produtividade já baixa, perde mais fôlego

Por Claudio Conceição, do Rio de Janeiro

No ano passado, o Observatório de Produtividade Regis Bonelli do FGV IBRE, trouxe uma boa notícia que, a princípio, dava um alento de que a produtividade da economia brasileira poderia estar saindo do marasmo dos últimos anos. Mas os últimos números divulgados pelo Observatório mostram que foi só um lampejo de melhora que foi puxado pelo excelente desempenho da agropecuária no ano passado que cresceu, pela ótica do Valor Adicionado, nada menos do que 21% no segundo trimestre de 2023. Este ano, houve uma queda da ordem de 3%.

Com os números divulgados pelo IBGE sobre o PIB que cresceu 1,4% no segundo trimestre do ano, os pesquisadores do Observatório calcularam os ganhos de produtividade do trabalho da economia brasileira. Houve uma queda de 0,3% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, que havia subido 2,7%.

Embora os dados mostrem que a produtividade está acima do que foi observado no quarto trimestre de 2019, antes da pandemia devastar a economia global, isso tem grande peso do que ocorreu com a agropecuária no ano passado, puxando o PIB para cima. E não há no horizonte algo que indique uma volta do crescimento, mesmo com a economia avançando na faixa dos 3% nos últimos dois anos. Para 2024 a previsão também é de avançar nessa faixa. Para muitos economistas, a economia brasileira está rodando cima de seu potencial, que estaria na casa dos 2%, o que pode causar desequilíbrios macroeconômicos.

Há porém, dois fatores que podem dar um empurrão na nossa produtividade. Um deles é a reforma trabalhista que alguns estudos já mostram impactos na produtividade depois da reforma. Um deles, do Fundo Monetário Internacional (FMI), mostra que a queda dos processos trabalhistas acabou gerando um aumento de 5% na Produtividade Total dos Fatores (PTF) das empresas brasileiras. A PTF é uma medida de eficiência com que os fatores capital e trabalho se transformam em produção. Segundo o Observatório, a PTF recuou 1,4% o primeiro trimestre deste ano, ante igual período de 2023. Em relação ao nível pré pandemia, a PTF está 5,4% abaixo.

Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro FGV IBRE, que também faz parte do grupo do Observatório, em matéria do Valor Econômico (acesso restrito à assinantes) dos dias 21,22 e 23, disse que a sua “grande preocupação é com a PTF, em fazer ela crescer, porque ainda não vimos uma retomada mais perene do total dos fatores”.

Outro serão os efeitos que a reforma tributária poderá ter sobre a economia e, por tabela, na produtividade. Mas isso, ainda deve demorar.

Taxa de crescimento da produtividade agregada
(em relação ao mesmo trimestre do ano anterior)


Fonte: FGV IBRE.

 


As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.