Monitor do PIB: em agosto, economia brasileira registra segunda contração seguida, ainda que suave
Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro
O Monitor do PIB do FGV IBRE apontou que em agosto a economia brasileira registrou a segunda contração seguida em relação ao mês anterior, ainda que suave: 0,2%. Juliana Trece, responsável pela divulgação do Monitor, afirma que por ora os dois resultados não devem ser lidos com preocupação, posto que, além de não ser intensos (em julho a queda foi de 0,1% em relação a junho), são precedidos por uma sequência de oito avanços. Somente em junho, destaca, o indicador havia registrado alta de 1,7%, destaca.
Sobre a composição desse resultado, Trece afirma que este se deveu principalmente pela estagnação da indústria e a queda na atividade de serviços. No caso da indústria, entretanto, há destaques importantes: o desempenho da construção, com alta de 1,1%.
Pelo lado da demanda, apenas as exportações registraram queda, de 2,5% em relação a julho. O consumo das famílias subiu 0,9%; o consumo do governo, 1,2%; as importações registraram alta de 2,6% e o investimento, 0,8%. Quando observado o desempenho da demanda a partir da taxa trimestral móvel em relação ao mesmo período do ano anterior, o consumo das famílias mostrou estabilidade em relação ao resultado de julho, com crescimento de 4,6% - acima do verificado no início do ano, com 4% em fevereiro, por exemplo, mas já se afastando do pico verificado em junho, com 4,9%. Em agosto de 2023, por sua vez, esse crescimento observado na média móvel trimestral interanual era de 3,6%. Na desagregação desse resultado, observa-se que o melhor desempenho é o do setor de serviços, “mas o consumo de duráveis e não duráveis também se destaca”, afirma Trece.
Excelente desempenho registra o investimento (Formação Bruta de Capital Fixo – FBCF), com 7,5% no trimestre móvel findo em agosto. O resultado é dominado pelo setor de máquinas e equipamentos, mas em agosto ganha participação o setor de construção – corroborando o crescimento observado pelo lado da oferta. No trimestre encerrado em fevereiro deste ano, o crescimento observado era de 2,9%, mais disseminado entre os segmentos. O setor de máquinas e equipamentos começou a ganhar projeção a partir de junho, quando o resultado saltou para 5,7%. Trece ressalta, entretanto, que o investimento vem de uma base de comparação deprimida – em setembro de 2023, o indicador registrou queda de -6,3% nessa análise trimestral, o pior resultado do ano – portanto se trata de um movimento de recuperação.
No caso de importações e exportações, estes registram, respectivamente, alta de 18,7% e 1% no trimestre móvel encerrado em agosto. No caso das importações, o crescimento tem se mostrado disseminado entre os setores, mas com destaque para o segmento de bens intermediários. Já o resultado das exportações é justificado principalmente pela “redução da contribuição positiva das exportações de produtos agropecuários e da extrativa mineral”. De acordo ao Monitor, “esses dois componentes, que juntos contribuíram com cerca de 8 pontos percentuais para o desempenho industrial positivo das exportações no ano passado, no trimestre encerrado em agosto colaboraram com 1,2 pp, menor participação desde fevereiro de 2023”.
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