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16 Dez 2024

IPA 2025: nova estrutura de ponderação inclui petróleo e gás, e indústria extrativa amplia peso no índice

Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro

A partir de janeiro de 2025, passará a vigorar uma nova estrutura de ponderação do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) – que corresponde a 60% do Índice Geral de Preços (IGP), do FGV IBRE – visando a garantir maior aderência do índice à realidade do mercado. A última atualização havia sido realizada em 2016 e tinha como base a composição da atividade econômica observada no período de 2011 a 2013. A nova revisão foi guiada em pesquisas realizadas entre 2020 e 2022, sua estrutura conta com 309 produtos, e sua ponderação ainda ganhará uma atualização adicional, observando a evolução dos preços relativos entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024, que será a que de fato servirá como base de cálculo a partir de 2025.

O destaque nessa atualização foi o ganho de participação da indústria extrativa, em detrimento da indústria de transformação, dado com a inclusão de petróleo e gás natural, reflexo da importância que essa atividade ganhou nos últimos anos inclusive nas exportações. Esse subgrupo representou 5,39% do IPA na ponderação relativa a 2020-2022, ficando atrás apenas dos subgrupos de lavouras temporárias (17,29%), das quais fazem parte produções como de soja, trigo e cana-de-açúcar; de minerais metálicos ferrosos (11,06%) e da pecuária (7,82%).

Uma das implicações dessa mudança, apontada por analistas a partir da Nota Técnica dessa atualização, divulgada pelo FGV IBRE em novembro (leia aqui), é o aumento da volatilidade do índice. Em webinar promovido na semana passada pelo FGV IBRE para detalhamento da nova estrutura, André Braz, superintendente de Índices de Preços do FGV IBRE, também reconheceu essa tendência. “Preços de commodities como o petróleo podem sofrer variações não só com a variação do consumo ou produção, mas também devido a questões como tensões geopolíticas ou variação cambial. Nosso desejo é que o IPA reflita todos os elementos, sinalizando mais rapidamente como esses fenômenos baterão na inflação”, afirmou. “Algumas commodities não participam do IPA por limitações na coleta de preços, em geral em segmentos concentrados, mas esperamos ampliar essa lista nas próximas revisões.” Braz ainda citou as mudanças climáticas como elemento com importância crescente no cálculo do IPA. “Em um país como o Brasil, com importante produção agrícola e forte participação da matriz hidrelétrica, o efeito climático é cada vez mais flagrantes nos índices. Basta observar a participação do setor agrícola e da energia na pressão inflacionária que afetou o IPA”, afirmou, lembrando que este ano o IPA saiu de -5,78% no acumulado em 12 meses em janeiro para alta de 6,99% em novembro, na mesma comparação.

Shai Vaz, um dos pesquisadores que participou de atualização do IPA, destacou que o trabalho levou um ano e meio, que se inicia com a sistematização de dados a partir de várias pesquisas oficiais, descritas na Nota Técnica. “Já o trabalho de ponderação é feito de cima para baixo. Usamos as Contas Nacionais para calcular o peso de cada macrossetor da indústria de transformação, extrativa e agropecuária, abrindo depois para uma ponderação dentro de cada divisão, e daí para esse mesmo exercício no nível de grupos, até chegar à última etapa, que é distribuir esse peso entre os produtos que fazem parte do IPA. Com isso, asseguramos que os pesos reflitam os observados na economia brasileira”, descreveu. Vaz ainda descreveu o processo de atualização da lista de produtos do IPA – entre inclusões, exclusões e agrupações – a partir da formulação de critérios de relevância. Entre os produtos que foram excluídos do IPA, cuja lista completa se encontra na Nota Técnica, estão filmes e papeis fotográficos, aparelhos de DVD e tintas de impressão. Da lista de itens incluídos, por sua vez, fazem parte, além de petróleo e gás, sorgo, embarcações e estruturas flutuantes e veículos ferroviários.

Mudanças no IPA


Fonte: FGV IBRE.

No webinar, Braz destacou que a velocidade das transformações tecnológicas nos setores produtivos tem levado à necessidade de revisões de estruturas cada vez mais frequentes. “Já contemplamos essa necessidade na atualização atual, preparando as bases para agilizar a execução das próximas”, afirmou. Ele também sinalizou que, para 2025, o FGV IBRE está preparando a divulgação do IPA Diário. “É uma forma de sinalizarmos mais tempestivamente como essas mudanças de preço impactam a inflação ao consumidor, onde estão as maiores flutuações”, descreveu, destacando que esse serviço é importante especialmente para analistas que estudam o IPCA. “Também estamos trabalhando para incluir os serviços no IPA. Não será para 2025, devido à sua complexidade, mas é um elemento da nossa agenda.”

IPA: diferenças nas ponderações


Fonte: FGV IBRE. OBS: a ponderação que servirá como base de cálculo a partir de 2025 ainda ganhará uma atualização adicional, observando a evolução dos preços relativos entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024.

A mais recente atualização de índices antes do IPA foi a do INCC< que passou a vigorar em julho de 2024 – e que, entre outras novidades A segunda é a ponderação do INCC em três padrões construtivos – econômico, médio e alto –, para melhor refletir a atividade das construtoras em seus respectivos segmentos (veja mais). “No caso do IPA, nossa preocupação está relacionada em atender aos diversos setores que buscam antecipar as pressões inflacionárias que batem no consumidor, ou que precisam controlar seus custos analisando o comportamento das séries do IPA”, diz. “Criar previsibilidade na aplicação de preços é um dos elementos que as empresas procuram ao acessar o FGV IBRE, visando soluções mais refinadas para os seus negócios”, completou Bernardo Chefer, executivo de contas do FGV IBRE. Braz destacou também a importância da parceria e confidencialidade na relação com empresas para a obtenção de dados para a elaboração dos índices. “Todos os segmentos podem contribuir com as estatísticas da FGV. Essa ajuda é fundamental e afeta todos os demais segmentos, em especial aqueles que usam nossos índices como indexadores, seja ele o IGP ou por um segmento do IPA”, afirmou.

Reveja o Webinar Atualização no IPA: o que muda para os setores produtivos e comerciais. 

 


As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.