Em janeiro, confiança de empresários e consumidores caminham em direções opostas
Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro
Neste início de ano, a confiança de consumidores e empresários caminhou em sentidos opostos. É o que aponta a Síntese das Sondagens do FGV IBRE de janeiro. Entre empresários, prevaleceu a tendência de recuperação da confiança registrada a partir de setembro de 2025. O resultado do primeiro mês do ano foi impulsionado pela avaliação das perspectivas futuras – que registra cinco meses consecutivos de alta –, com retração do índice que capta a percepção sobre a situação atual em janeiro.
Analisada por segmento, a confiança empresarial fechou janeiro liderada pela indústria (96,1 pontos, em uma escala na qual 100 é o nível neutro), em que se verifica aumento na demanda e escoamento de estoques, contribuindo para melhora na percepção da demanda corrente. Na sequência estão construção, com 94 pontos, o comércio (91,3) e os serviços (90,9 pontos).
“A recuperação do nível de atividade presente percebida pelas empresas ainda é muito tímida, tanto que janeiro houve essa queda”, afirma Aloisio Campelo, superintendente de Estatísticas Públicas do FGV IBRE. Para Campelo a melhora no campo das expectativas pode se justificar pelas expectativas para o início do corte da taxa básica de juros pelo Banco Central, esperada para março. “Ainda que se projete que o impacto da queda de juros na atividade só aconteça de 6 a 9 meses depois do corte, o nível da atividade é apenas um dos aspectos afetados por essa decisão de política monetária. Para uma empresa, um corte da Selic também pode influenciar as condições de acesso a empréstimos, por exemplo, para capital de giro, fazendo diferença no resultado financeiro”, afirma o economista do IBRE.
Outro elemento que também pode contribuir positivamente para a confiança das empresas nos próximos meses é a expectativa quanto a medidas de estímulo ao consumo – especialmente em anos eleitorais. “A isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e o aumento real do salário mínimo também podem contribuir para esse quadro”, completa Campelo, ressaltando, entretanto, que não se trata de um boom.
Entre consumidores, por sua vez, houve recuo da confiança, após quatro meses de alta. Essa revisão para baixo acontece tanto na percepção sobre a situação corrente quanto na avaliação sobre o futuro. Apesar do bom momento do mercado de trabalho e da renda, bem como da trajetória cadente da inflação, juntos e endividamento em alta são fatores que podem justificar esse resultado, como mostra a Síntese. Em 2025, dados da Serasa apontam que 49% da população terminou o ano inadimplente – a alta da inadimplência foi tema de matéria da Conjuntura Econômica de dezembro (confira aqui). Outro elemento ilustrativo da Sondagem do IBRE é a proporção de consumidores que usam recursos da poupança para quitar dívidas, que desde meados de 2025 variou entre os níveis alto e muito alto.
Em janeiro, aqueda de confiança se deu entre consumidores de todas as faixas de renda – à exceção da mais alta, a partir de R$ 9 mil, que se manteve estável. Os maiores recuos observados entre os consumidores que recebem até R$ 4,6 mil. Também na contramão dos resultados empresariais, a confiança dos consumidores registrou maior recuo no campo das expectativas, que inclui perguntas como sobre a situação econômica e financeira futura das famílias.
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