Em Foco
Previsões e desafios para este ano
Por Claudio Conceição, do Rio de Janeiro
No começo de 2023, as previsões para a economia brasileira não eram das melhores. Iniciamos com a PEC da Transição, promulgada dia 21 de dezembro de 2022, elevando significativamente a previsão dos gastos públicos, ao mesmo tempo em que se costurava o novo arcabouço fiscal, que tem como eixo central o aumento da arrecadação para equilibrar as contas públicas, com meta de zerar o déficit primário em 2024. Aprovado o arcabouço, as dificuldades para se zerar o déficit permearam todo o ano passado, já que a arrecadação não cresceu da forma esperada, sinalizando perspectivas não tão otimistas para o ano seguinte. O próprio presidente Lula declarou que seria difícil zerar o déficit, indo na contramão do que o ministro Haddad vem defendendo.
Os resultados do PIB do primeiro semestre, especialmente do primeiro trimestre, que teve como principal alavanca o excepcional crescimento da agropecuária, aliado ao petróleo e ao minério de ferro, mudaram o cenário. Embora no segundo semestre do ano passado a economia desacelerou, estima-se um crescimento do PIB da ordem de 2,9%, conforme as últimas previsões do Boletim Macro FGV IBRE.
Pesquisadores do FGV IBRE e economistas convidados fazem um balanço do que aconteceu na economia no ano passado e o que esperam para este ano, através de artigos que estarão disponíveis na próxima edição da revista Conjuntura Econômica, a circular na semana que vem.
Silvia Matos, pesquisadora e coordenadora do Boletim Macro, mostra que fatores conjunturais e estruturais podem explicar o bom desempenho do PIB. Em seu artigo destaca, entre outros pontos:
• Um primeiro aspecto de 2023 é que, apesar do número do crescimento ser similar ao do ano passado, as expansões observadas nos dois anos possuem características muitos diferentes, distinções que ajudam a pensar sobre o que esperar para 2024.
• De forma resumida, em 2023, a alta de 2,9% no PIB foi puxada, em grande medida, pelas atividades mais exógenas à política monetária, com contribuição estimada em 1,6 p.p. desse crescimento. Enquanto em 2022 a alta de 3% do PIB foi puxada quase que integralmente pelas atividades mais cíclicas, que contribuíram com 2,8 p.p. desse crescimento.
• Para este ano haverá uma expansão mais moderada do PIB. O carregamento estatístico para 2024 será de apenas 0,3%, ante os 0,9% de 2023.
• O que vai acontecer a médio prazo é, sem dúvida, a pergunta mais difícil a ser respondida. Há vários fatores em jogo, que podem mudar a trajetória da economia. No entanto, a reforma tributária é um importante agente para mudar a estrutura da economia brasileira, aumentando a competitividade e reduzindo o intrincado e caótico sistema tributário brasileiro.
Reunidos em uma edição especial, que conta com entrevista da ministra Simone Tebet, do Planejamento e Orçamento, os principais pontos dos artigos serão tema do Blog da Conjuntura, possibilitando uma melhor compreensão da economia brasileira que terá pela frente um ano de muitos desafios.
Leia a íntegra do artigo de Silvia Matos.
As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.