Confiança fecha o semestre em alta para consumidores e estável entre empresários, apontam Sondagens do FGV IBRE

Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro

O primeiro semestre do ano fecha com alta de confiança dos consumidores e estabilidade no agregado das empresas, aponta a Síntese das Sondagens do FGV IBRE. Como destacado pela economista Anna Carolina Gouveia ao Blog (leia aqui), o bom momento do mercado de trabalho, com uma combinação virtuosa de aumento da formalização e da renda, torna o otimismo dos consumidores resiliente ao cenário dos juros ainda altos, que encarecem o crédito. A confiança do consumidor fechou junho em 91,1 pontos, ainda abaixo da confiança empresarial, com 95,6 pontos em junho. A dúvida adiante, como lembrou recentemente o pesquisador Livio Ribeiro (veja aqui) é até quando essa dinâmica laboral não pressionará a inflação, minando o poder de compra dos salários dos trabalhadores.

A confiança empresarial, por sua vez, espelha realidades diferentes quando aberta por setor. Em junho a confiança da indústria registrou a terceira alta consecutiva, fechando em 98,4 pontos, nível mais alto desde o terceiro trimestre de 2022. A melhora da percepção sobre a demanda presente e uma melhora no nível de estoques são destaque no setor, além da retomada da confiança entre fabricantes de bens de capital – entre estes, a média trimestral dos índices de confiança fechou em 97,8, conta 89,6 no período anterior.

A construção, por sua vez, fechou estável em relação aos meses anteriores (em 96,4 pontos), mas em um nível abaixo do registrado na virada do ano, quando as expectativas estavam mais aquecidas. O cenário de juros e preocupações com escassez de mão de obra, como destacou Ana Maria Castelo em conversa para o Blog (veja aqui) estão entre os elementos que levaram a essa recalibragem.

Evolução da confiança 
Em pontos, com ajuste sazonal


Fonte: FGV IBRE.

Serviços e comércio - que fecharam com junho com os índices mais baixos, respectivamente, em 94 e 90,3 pontos –, por sua vez, mantêm uma trajetória de recuo de confiança observada desde a virada para o segundo trimestre. No comércio, a influência do desastre ambiental no Rio Grande do Sul colaborou para acentuar essa queda, destacam os economistas das Sondagens. Eles ainda destacam que a desaceleração não vale para todos os segmentos: veículos, móveis e eletrodomésticos e comércio de materiais de construção registraram alta em junho em relação ao mês anterior. Também Já no setor de serviços, a atenção se volta para o segmento de serviços prestados às famílias, reconhecido com grande empregador, que registrou a maior queda no trimestre, de -3,2 pontos, seguido de serviços profissionais (-2,5 pontos), transportes (-2,1 pontos) e outros serviços (-1,3 ponto) em relação ao primeiro trimestre.

O Indicador de Incerteza do Brasil (IIE-Br) do FGV IBRE registrou alta em seu componente de expectativas em junho, apontando que a evolução do cenário de juros e inflação, além de instabilidades no front internacional, já contaminam a percepção sobre o segundo semestre. 

 


As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.

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