Voltar
03 Jan 2024

Confiança empresarial encerra 2023 sem ganhos em relação ao final de 2022

Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro

Empresários que operam no Brasil encerraram 2023 com um nível de confiança similar ao de dezembro de 2022. Como mostra o Índice de Confiança Empresarial do FGV IBRE, divulgado nesta terça-feira (2/1), mesmo com um otimismo crescente no decorrer do ano até agosto, os sinais de desaceleração provocaram uma recalibragem da confiança a partir de setembro, levando o último índice do ano a fechar em 91,2 pontos, um resultado 3,6 pontos abaixo do registrado em agosto. Em dezembro de 2022, a confiança empresarial estava ligeiramente abaixo, mas em nível similar, de 90,7 pontos.

Rodolpho Tobler, economista do FGV IBRE, afirma que o resultado não foi pior graças a uma recuperação da confiança da indústria nos dois últimos meses do ano. “Entre novembro e dezembro, a confiança dos empresários do setor, subiu 4 pontos”, diz. Antes quatro quedas consecutivas, com perda de 3,7 pontos em relação a junho, quando a confiança atingiu seu ponto máximo do ano, com 94,5 pontos. Para Tobler, ainda é preciso confirmar a consistência dessa recuperação. “Observaremos os próximos resultados para checar se não foi um movimento pontual, relacionado a uma recuperação de estoques”, aponta.

Confiança empresarial, por setor 
Índice de Confiança


Fonte: FGV IBRE.

Comércio e serviços foram os setores que em dezembro registraram uma pequena queda de confiança em relação a dezembro de 2022 – com 86,7 pontos, o mais baixo entre os Índices de Confiança setoriais.  No caso do comércio, a deterioração do otimismo foi mais forte no indicador que avalia a situação atual, que em comparação a dezembro de 2022 registrou uma perda de 3,2 pontos, finalizando em 85,5 pontos. Parte dessa perda foi compensada por um avanço das expectativas, que fecharam 2,2 pontos acima do mesmo período do ano anterior, em 88,3 pontos. Geórgia Veloso, economista do FGV IBRE responsável pela divulgação desse índice, ressalta que a estimativa de uma continuidade no processo de redução do endividamento e condições de crédito mais favoráveis diante do ciclo de redução de juros podem justificar essa melhora.

No caso dos serviços, Tobler aponta que a queda da confiança tem acontecido desde o início do segundo semestre, sendo mais acentuada nos últimos meses do ano, especialmente no campo das expectativas com a atividade nos próximos meses. Em dezembro, o Índice de Expectativas caiu 4,8 pontos em relação a novembro. “Os destaques são para o segmento de transportes, algo esperado depois do importante crescimento registrado na primeira metade do ano, puxado pelo agronegócio, e para os serviços prestados às famílias. Nesse caso, parece que há uma percepção de que o processo de redução do grau de endividamento das famílias não é algo imediato, apontando a um orçamento ainda apertado, o que as leva a ponderar o consumo de itens não essenciais”, afirma. Tobler considera, entretanto, que há margem para uma reação da confiança no início do ano, ainda que esse movimento esteja condicionado a uma perspectiva de crescimento econômico menor. “Isso dependerá, entre outros fatores, do comportamento da inflação e do horizonte de queda de juros.”

Fatores limitativos à melhoria dos negócios, % de assinalações


Fonte: FGV IBRE.

No setor de serviços como um todo, o fator mais citado pelos empresários como limitativo à melhoria dos negócios é a competição acirrada, o que pode ser identificado como sinal de demanda aquecida, diz Tobler. O mesmo acontece com o setor da construção, que apesar de uma leve queda de confiança na ponta fecha o ano com o melhor índice entre os setores avaliados. Competição e escassez de mão de obra qualificada são, de acordo à resposta dos empresários consultados, os problemas a serem enfrentados para a construção explorar todo o potencial de crescimento para 2024. No caso do comércio, ao contrário, as assinalações se concentram na demanda insuficiente, com um aumento de 10 pontos percentuais, indicando que a perspectiva inicial dos empresários é de um 2024 ainda desafiador.

 


As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.