Barômetros Globais: Ásia e Europa recuam, refletindo dificuldades na retomada econômica
Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro
Os Barômetros Globais divulgados nesta segunda-feira (12/6) pelo FGV IBRE apontam queda no agregado, refletindo problemas na região Ásia, Pacífico & África - cujo maior peso se concentra na China - e na Europa. A maior revisão para baixo aconteceu na primeira: queda de 1,1 ponto no indicador coincidente e de 3,2 pontos no indicador antecedente, depois de a região registrar alta em maio de, respectivamente, 0,4 e 2,9 pontos. Na Europa, o declínio foi menor, de meio ponto no indicador que mede a situação atual e de -1,3 no antecedente. Já a região Hemisfério Ocidental apresentou alta de 0,2 ponto no indicador coincidente e de 1,2 no antecedente.
Paulo Picchetti, pesquisador do FGV IBRE, avalia que a resiliência dos desafios para recuperação econômica mundial - como a persistência do processo inflacionário e a continuidade da guerra na Ucrânia - foi a responsável por essa piora. “Isso gera expectativas de desaceleração adicional ao longo do segundo semestre do ano, o que por sua vez explica o resultado do Barômetro Antecedente em junho”, diz.
No caso da região Ásia, o balanço de perdas e ganhos no acumulado do ano ainda é positivo em 2,4 pontos no indicador coincidente e de 10,4 pontos no antecedente, graças especialmente à forte alta observada entre os meses de fevereiro e março. Alguns indicadores recentes da atividade chinesa, entretanto, corroboram a ideia de que a retomada econômica no país não acontece no modo “liga-desliga” após o fim da política de Covid-zero. Livio Ribeiro, pesquisador associado do FGV IBRE, indica que a inflação chinesa ao consumidor recuou 0,2% em maio, reforçando o diagnóstico de “carência de demanda e dificuldade de dinamização do crescimento econômico” este ano. Mesmo os serviços, diz, impulsionados pelo fim das medidas de restrição sanitária, registram inflação de 0,9% em 12 meses até maio. “Com isso, mantém-se a expectativa de um crescimento chinês moderado em 2023 - minha projeção é de 5,7% -, com ajuda de relevantes políticas de estímulo do governo”, afirma.
Barômetros Globais de junho (em pontos)

Variações dos Barômetros em relação a maio (em pontos)

Fonte: FGV IBRE.
Na Europa, a revisão do PIB do último trimestre de 2022 (para -0,1%) somada às estimativas para os primeiros três meses deste ano (de outro -0,1%) dão conta de que a região já entrou em recessão. A persistência inflacionária leva a expectativas de novas altas da taxa básica de juros pelo Banco Central Europeu. O equacionamento da questão energética ainda é fonte de preocupação, e o balanço feito por analistas é de que a região terá de conviver em estado de crise econômica ainda por um horizonte relevante de tempo, ainda que esta possa não ser tão acentuada quanto já se previu.
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