Nota do Editor
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Bandeiras dos Estados Unidos compondo o cenário junto a símbolos nacionais na orla de Copacabana. No ABC paulista, discursos reiterados em defesa da soberania brasileira. Em meados de agosto, os primeiros atos de campanha dos dois candidatos à Presidência com maior intenção de voto foram pincelados pela influência do fator Donald Trump, também presente em outras disputas eleitorais no continente sul-americano. Desde o início de 2025, quando o presidente dos Estados Unidos iniciou ofensivas no campo da política externa sob o lema de tornar a América grande novamente (MAGA, na sigla em inglês), acirrou polarizações ao redor do mundo. Na América do Sul, aglutinou vozes políticas de extrema direita – especialmente em torno da agenda da segurança pública –, acentuando certa dissonância cognitiva, como define o internacionalista Paulo Velasco em entrevista, sobre como cada economia interpreta a região.
Nesta edição, tratamos desse componente externo na atual conjuntura brasileira. O calor da contenda eleitoral tende a alterar o foco e a calibragem dos discursos, enevoando o que de fato pode vingar como diretriz de governo de quem assumir o país em 2027. Especialistas destacam, entretanto, que não há cenário externo fácil diante de um sistema multilateral em agonia, sob alta turbulência geopolítica.
Nossos articulistas também trazem bons subsídios para o debate sobre os juros altos no Brasil e o papel do gasto primário para reduzi-los. Na Carta do IBRE, uma rica análise sobre os supersalários no serviço público, com proposta de reordenamento da política remuneratória, traz luz para um ponto crítico na agenda do necessário ajuste fiscal estrutural brasileiro. Regras fiscais, reforma tributária e a análise política de Murillo de Aragão sobre o que classifica de axiomas de Brasília também estão na pauta.
Boa leitura.
Solange Monteiro – solange.monteiro@fgv.br
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