Nesta edição – janeiro 2022

Carta do IBRE – IVAR, novo índice de preços de aluguel do FGV IBRE, pode aprimorar contratos e política econômica

O FGV IBRE lançou o IVAR, índice de variação de aluguéis residenciais, que se espera seja uma importante adição ao conjunto de índices de preços produzidos pelo IBRE. A evolução dos preços de aluguéis é uma variável econômica de enorme relevância, e cuja aferição não é nada trivial. A dificuldade em estimar adequadamente a inflação dos aluguéis é um tradicional problema que afeta as negociações de milhões de contratos e, também, a análise macroeconômica em diversos aspectos, incluindo até o fiscal. A correta medição da evolução dos preços dos aluguéis, quando o IVAR calculado retroativamente é inserido nos índices de preços ao consumidor, indica que a inflação total efetiva nos últimos anos não foi exatamente a registrada nos índices oficiais – e as diferenças são significativas em alguns casos.

Entrevista – “Cada dia mais, a Constituição é menos”

Quando perguntado sobre as preocupações em torno da economia e das perspectivas políticas para 2022, tratadas exaustivamente na mídia a partir da análise de pesquisas e projeções, Joaquim Falcão sai da superfície da conjuntura e, de seu mergulho, retorna com temas basilares que reconfiguram a ordem do debate. Nesta entrevista para a Conjuntura Econômica, o membro da Academia Brasileira de Letras defende que o sistema financeiro precisa de uma cirurgia institucional “para aprender com as consequências” que ajuda a provocar sobre o processo de produção de bem-estar para os brasileiros. Alerta sobre a dificuldade do Supremo de dar conta dos processos a decidir, fazendo bypasses que ampliam a insegurança, inclusive econômica. E afirma que a ameaça à democracia não é eleitoral, mas sim a da pobreza.

Macroeconomia – A poupança que fica(rá)

O aumento da poupança constituiu um diferencial no cenário macroeconômico da pandemia da Covid-19. Como em outras crises, marcadas por grave incerteza, houve uma disparada da poupança dita precaucional. Desta vez, as restrições ao consumo acentuaram esse fenômeno. Este também é marcado por mudanças de comportamento decorrentes das novas tendências estruturais na economia e na sociedade, mais digitalizada, mais automatizada, mais trabalho independente, menos proteção social pública. 

Capa | Perspectivas – 2022 sob pressão

Com uma reação melhor que a esperada da atividade no início do ano, 2021 se despediu deixando uma expansão do PIB acima da inicialmente projetada – de 4,6% conforme prevê o Boletim Macro de dezembro –, mas em preocupante desaceleração, quitando impulso para 2022. As estimativas do IBRE são de que este ano a economia crescerá 0,7%. Com uma economia andando de lado, uma recuperação do mercado de trabalho incompleta, e um período eleitoral que promete dose extra de turbulência, espera-se mais um ano árduo à frente. “A atividade oscilará muito. No primeiro trimestre, a tendência é de crescimento, com ajuda do desempenho do agronegócio, talvez serviços públicos. Mas no segundo trimestre o agro já sai de cena, a base de comparação com o segundo tri de 2021 é desfavorável, e podemos ter um PIB negativo. Talvez no terceiro tri haja uma acomodação. Na média, a sensação será de uma economia estagnada”, resume Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro IBRE. “Nada que se assemelhe a um desastre, mas que efetivamente não terá grande força.”

Saneamento – Equilibrando riscos e retornos nos investimentos

A evolução da variante ômicrom no hemisfério Norte não dá muita razão para alento quanto ao fim da pandemia que nos assombra nos últimos 2 anos. Apesar de ficar cada vez mais claro que teremos que aprender a conviver com o vírus, o comportamento dos mercados reflete incerteza e preocupação aumentadas. Investimentos em infraestrutura são vistos como importantes instrumentos na recuperação da crise da pandemia ao redor do mundo. Mais do que fechar gaps e aumentar a produtividade, trata-se de aproveitar a oportunidade de adaptar ativos na transição para uma economia de baixo carbono. Estados Unidos e Europa, notadamente, têm feitos esforços para canalizar recursos para investimentos em infraestrutura sustentáveis. O Brasil nos últimos 5 anos tem tido avanços importantes em infraestrutura, a despeito das crises recentes. Mais de uma centena de leilões permitiram alocar ativos e direitos em telecomunicações, transportes (rodovias, aeroportos, portos) e energia.

 


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