Edição de março de 2026
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A primeira quinzena de março foi marcada pela expectativa em torno dos desdobramentos dos ataques de EUA e Israel ao Irã. No fechamento desta edição, a extensão do choque inflacionário com o bloqueio do Estreito de Ormuz – rota de transporte de cerca de 20% do petróleo e 25% do gás natural produzido no planeta – e seus efeitos secundários ainda eram difíceis de prever. Para o Brasil, os sinais são de cautela dobrada na condução do ciclo de corte de juros pelo Banco Central, alertaram os economistas reunidos no I Seminário de Análise Conjuntural FGV IBRE/Estadão de 2026.
Outra frente que se deve observar com cuidado é a dinâmica da economia chinesa, alerta Livio Ribeiro, pesquisador associado do FGV IBRE, na entrevista do mês. Com a tendência de desaceleração sinalizada nas metas de crescimento do governo chinês para 2026, o mundo poderá perder um vetor não trivial de desinflação.
Diante dos riscos de um cenário externo menos positivo para a macroeconomia brasileira – refletida principalmente no câmbio e na entrada de capital estrangeiro – é preciso atenção na agenda doméstica, especialmente a fiscal. Na Carta do IBRE, o foco é o possível impulso fiscal vindo de estados e municípios este ano. Evolução do mercado de trabalho, competitividade e desenvolvimento produtivo sustentável também estão na pauta desta edição.
Boa leitura.
Solange Monteiro – solange.monteiro@fgv.br
Carta do IBRE – Qual será o impulso fiscal dos governos regionais em 2026?
Entre 2010 e 2019, a média do gasto de estados e municípios foi 10% superior à do gasto orçamentário do governo central. Hoje, a despesa regional é 25% maior que a federal. Nesta Carta, que toma como base as análises de Bráulio Borges e Manoel Pires, ambos do Centro de Política Fiscal e Orçamento Público do FGV IBRE, são traçados cenários para o impulso fiscal desses entes em 2026. Mesmo na hipótese mais agressiva, esse impulso tende a ser menor do que em 2022, afirmam os pesquisadores.
Ponto de Vista – A baixa taxa de crescimento potencial da economia
Na coluna deste mês, Samuel Pessôa apresenta seu cálculo da taxa de crescimento potencial da economia brasileira. Levando em conta dados de mercado de trabalho, de produtividade do trabalho e demográficos, Pessôa afirma que essa taxa pode chegar a 1,5% ao ano – com otimismo. Entenda por quê.
Entrevista – “Para o bem-estar do eleitor, o melhor seria deixar a Selic parada”
Os ataques de EUA e Israel ao Irã frustram a expectativa de redução da incerteza global em 2026, que foi uma das condicionantes para o Banco Central sinalizar uma queda de juros em março. O pesquisador associado do FGV IBRE Livio Ribeiro, sócio da BRCG, defende que essa conjuntura reforça a necessidade de precaução na política monetária para evitar um rebote inflacionário em 2027. Para Ribeiro, é preciso baixar as expectativas quanto ao horizonte de corte da taxa básica de juros este ano.
Capa – Fator mundo
A manutenção de um cenário externo conturbado pode trazer reflexos não triviais para a economia brasileira, como mostram as análises reunidas nesta edição. Do comércio exterior à inflação, a combinação de variáveis pode tornar a condução da política econômica ainda mais desafiadora – sem contar os efeitos esperados de um ano eleitoral.
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