Edição de maio de 2026
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Passados dois meses do início da guerra no Irã, os efeitos do conflito nos preços e na política global vão se espalhando. Nos Estados Unidos, a inflação atingiu seu maior nível em três anos em abril, acompanhada do aumento da rejeição ao governo do presidente Trump. No Brasil, o IPCA desacelerou em relação a março, ajudado pelo pacote do governo para conter o preço dos combustíveis, mas sem eliminar totalmente a pressão em itens sensíveis para as famílias, como alimentos em domicílio.
Nesta edição, contamos com a contribuição de vários pesquisadores na análise dos impactos do fechamento do Estreito de Ormuz na economia brasileira além do inflacionário. A Carta do IBRE trata da maior resiliência da balança comercial a choques externos de energia, mas alerta que os ganhos fiscais estimados com a atual guerra dependerão “de uma gestão eficiente dos ganhos de arrecadação e da mitigação de riscos geopolíticos e cambiais”. Mauricio Canêdo, por sua vez, escreve sobre como governos municipais gerem o aumento das receitas de royalties e participações especiais. Já Lia Valls destaca a janela de oportunidade que o conflito abre ao Brasil, que pode aproveitar o choque positivo nos preços para investir na cadeia das novas fontes de energia alternativas, aproveitando o apelo de substituição dos combustíveis fósseis alimentado pela atual crise.
Também tratamos do alto nível de inadimplência das famílias, que levou o governo a lançar uma nova versão do Desenrola, no início deste mês. O alto nível de comprometimento de renda dos consumidores brasileiros que leva ao superendividamento foi tema de episódio do podcast Economia em 15, e é retomado nesta edição, com novas análises dos pesquisadores do FGV IBRE.
Boa leitura.
Solange Monteiro – solange.monteiro@fgv.br
Carta do IBRE – Os vários impactos do novo choque do petróleo no Brasil
A alta do preço do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio encontra o Brasil consolidado como exportador líquido, o que impulsiona o PIB e a arrecadação federal. A elevada dependência de derivados e fertilizantes importados, entretanto, mostra que a soberania econômica ainda exige superação de desafios estruturais. O futuro fiscal, aponta a Carta, dependerá da gestão eficiente dos ganhos de arrecadação e da mitigação de riscos geopolíticos e cambiais.
Ponto de Vista – Peso do capital físico na desigualdade de renda entre as economias
Nesta coluna, Samuel Pessôa defende que a ideia de que diferentes níveis de capitalização explicam diferenças relevantes de produtividade do trabalho, conhecida por fundamentalismo do capital, não se sustenta nos fatos. Para ele, é preciso avaliar outros candidatos: as habilidades cognitivas e socioemocionais das pessoas; a má alocação do capital e do trabalho em empresas de menor eficiência; a menor eficiência sistêmica da economia; e diferenças sistemáticas de qualidade de gestão entre as empresas de diferentes países.
Entrevista – “Ainda não temos efetiva consciência de quão maravilhoso seria viver com preços estáveis”
A entrevista deste mês é em homenagem a José Júlio Senna, que completou 80 anos em março. Senna traça uma retrospectiva da evolução da macroeconomia brasileira a partir de sua trajetória, que inclui uma passagem como diretor do Banco Central nos anos 1980 e vários livros. Ele também comenta as lembranças compartilhadas no Seminário de Política Monetária do FGV IBRE por economistas que estiveram próximos de Senna em seus 50 anos de carreira.
Destaques – Blog do IBRE
Em abril, diversos temas estiveram no foco de análise dos articulistas do Blog.
Capa – Alívio temporário
No início de maio, o governo federal lançou o Novo Desenrola Brasil, visando aliviar a inadimplência dos consumidores. Em março, a Serasa contabilizava 82,8 milhões de brasileiros negativados. Na análise dos pesquisadores do FGV IBRE, a medida tem virtudes e problemas. Ainda que no curto prazo seja fundamental apoiar o equilíbrio orçamentário das famílias, a medida não é suficiente para tratar do tema de forma estrutural, e ainda pode dar um sinal perigoso, ao reduzir o custo da inadimplência.
Entrevista – “O risco é responsabilizar somente o ponto mais fraco dessa estrutura”
Conversamos com Kauê Lopes, geógrafo autor do livro Parcelado – dinâmicas de consumo na periferia, sobre o papel do crédito na vida de moradores de bairros periféricos da capital paulista.
Artigos
Aumento de preços do petróleo: choque positivo e desafios
Lia Baker Valls Pereira
Mais sobre petróleo e maldição dos recursos naturais nos municípios brasileiros
Mauricio Canêdo Pinheiro
Redução da jornada pode afetar mais de 36 milhões de trabalhadores no Brasil
Bruno Ottoni
Saneamento no Brasil: os investimentos são crescentes
Marcelo Miterhof e Letícia Pimentel
Saneamento básico no Brasil: o que há para além de 2033?
Alesi Teixeira Mendes
Perspectivas para a mobilidade aquaviária
Luiz Firmino Pereira
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