Edição de dezembro de 2020

Nota do Editor

Como se esperava, a atividade econômica se recuperou no terceiro trimestre crescendo 7,7% em relação aos 3 meses anteriores, depois do tombo de 11,0% no primeiro semestre do ano. Embora a variação tenha sido a maior desde o início da série em 1996, o país se encontra no mesmo patamar de 2017, com a atividade econômica encolhendo 5% nos 9 primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período de 2019, segundo o IBGE.

Saímos da chamada recessão técnica, quando o Produto Interno Bruto (PIB) fica negativo por dois trimestres consecutivos. Indústria e serviços puxaram a recuperação. É bom lembrar que o setor de serviços, que tem uma participação de mais de 70% no valor adicionado – 63% no PIB –, conseguiu crescer em meio à pandemia pois encontrou novas formas de atuação, com um significativo crescimento de vendas on-line. Mas o problema ainda está no que o IBGE classifica como outros serviços, que incluem os prestados às famílias, que ainda estavam 36% abaixo de fevereiro.

O crescimento é um alento, embora tenha sido menor do que as previsões do governo que esperava uma expansão de 8,3%. E daqui para frente? Voltamos a sofrer com o aumento de casos do coronavírus, o que pode atrapalhar os resultados previstos anteriormente para esse último trimestre do ano. Também o nível de incerteza deve se manter elevado, em função da frágil situação fiscal, com impactos diretos no consumo e nos investimentos. O desemprego não deve arrefecer, havendo projeções de que chegue perto dos 20% até o final de 2021. E a retirada do auxílio emergencial, que deu um forte impulso ao consumo, é outro elemento de aumento da incerteza. A Secretaria de Política Econômica (SPE) emitiu nota informando que, com os resultados do PIB do terceiro trimestre, não haverá necessidade de manter o auxílio emergencial.

Mesmo com a montanha de problemas que estamos acumulando, a chegada de uma vacina no começo do próximo ano – países europeus já anunciaram o início de vacinação brevemente –, tende a reduzir a incerteza e pavimentar o caminho para um crescimento mais sustentável. Mas, para isso, o país tem que equacionar a questão fiscal.

#FiquemBem

Claudio Conceição

 


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