O Debate sobre Bons Empregos
Blog do IBRE – Em entrevista recente para o Financial Times, Dani Rodrik argumentou que a ascensão do populismo de extrema direita nos últimos anos e, em particular, a eleição de Trump em 2016, decorreu em grande medida de mudanças profundas no mercado de trabalho.
Rodrik argumenta que a globalização e, mais recentemente, a aceleração da automação, foram responsáveis pela destruição de bons empregos, sem criação correspondente de novas oportunidades de trabalho com níveis equivalentes de salário e proteção social. Sua avaliação é de que as disrupções provocadas pela tecnologia no mercado de trabalho tendem a se agravar e, caso não sejam adotadas medidas específicas voltadas para a geração de bons empregos, as consequências sociais e políticas serão muito graves.
Embora existam inúmeras publicações sobre o impacto das mudanças tecnológicas no mercado de trabalho, como a edição de 2019 do World Development Report do Banco Mundial, chama atenção o número crescente de economistas renomados que têm defendido a adoção de políticas específicas de criação de empregos.
Além de Rodrik, Daron Acemoglu tem se manifestado nessa linha, e de forma particularmente enfática em artigo de 2019 intitulado “It´s Good Jobs, Stupid”. Acemoglu define bons empregos como aqueles que oferecem um salário compatível com um padrão de vida confortável e um grau adequado de proteção social. Além de funcionar como uma forma de compartilhamento da prosperidade econômica, a oferta de bons empregos contribui para uma participação política mais efetiva, reduzindo o espaço para o populismo e o clientelismo.


