Nesta edição – outubro 2021

Carta do IBRE – Desemprego alto é desafio para governo em 2022, e pode persistir até 2026

Os poderosos efeitos da pandemia sobre o mercado de trabalho brasileiro ocorreram depois que este já havia sido abalado pela intensa recessão de 2014-2016 e pela lenta recuperação até 2019. Há indicações de que a volta da taxa de desemprego para o padrão anterior ao difícil período iniciado em 2015 pode levar alguns anos, mesmo em cenários de crescimento econômico bastante otimistas. Essa constatação, a que chegaram pesquisadores do FGV IBRE, tem implicações importantes para as eleições de 2022 e para a política econômica a ser conduzida até lá, assim como para o próximo governo a partir de 2023.

Entrevista –  ‘É preciso reconhecer que a estabilização não será rápida’’

O sucesso no combate a choques econômicos, como o provocado pela pandemia, muitas vezes está na tempestividade dos gestores em combater seus efeitos. Quando se trata de cuidar de um problema estrutural, entretanto, a pressa pode ser uma grande inimiga. Esse é o alerta de Nelson Barbosa, ministro da Fazenda e do Planejamento da ex-presidente Dilma Rousseff. Nesta conversa, Barbosa aponta o risco no apuro da aprovação da reforma do Imposto de Renda – que, mantido o atual texto, “levaria o próximo governo a ter de trabalhar para corrigir seus excessos”. Por outro lado, Barbosa também identifica erro de timing na estratégia da chamada terceira via que, descreve, “coloca a distribuição de renda e o combate à pobreza como algo a ser feito depois das reformas”. 

Macroeconomia – Políticas públicas sem (com) evidências

Dados serão como o novo petróleo a mover a economia e a sociedade na nova era digital, cujas transformações foram abreviadas e acentuadas pela pandemia da Covid-19. Ganhou força a ciência dos dados e os seus especialistas se tornam um dos profissionais mais demandados e valorizados no mercado de trabalho. Não apenas os negócios passarão cada vez mais a girar em torno de dados, mas também as políticas e as práticas públicas deverão ser cada vez mais por eles moldadas e movidas. Isso deverá provocar uma ruptura radical de comportamento na direção e na gestão das contas públicas.

A reversão da política de comércio exterior é essencial para salvar a indústria

A indústria continua apresentando um desempenho pífio este ano, enquanto o comércio se recupera, bem como os serviços, estes em menor intensidade, com o arrefecimento da pandemia. O descolamento entre o desempenho dos dois primeiros vem se acentuando, atingindo a maior distância desde 2003. Utilizando a média daquele ano como base de comparação, o índice de volume de vendas do comércio era, em julho deste ano, 109 pontos percentuais superior ao da produção física da indústria de transformação. Não é possível explicar essa diferença, constante e progressiva, por um processo de ajuste de estoques. A explicação mais plausível reside no comportamento do comércio exterior.

Capa | Contas públicas – Estratégia de risco

Debates orçamentários em países deficitários em condições normais de operação da economia não são tarefa simples. No caso do Brasil, essa fotografia já conhecida ganhou contornos mais complexos este ano. Frente a um cenário inflacionário que atravessa a fronteira para 2022, preconizando redução de crescimento e maior dificuldade especialmente para a camada da população na faixa da pobreza, que se ampliou depois da pandemia, Executivo e Congresso se debatem entre escolhas que respondam às restrições fiscais impostas pelo teto de gastos, as que atendam ao aumento da demanda por proteção social, além das referentes às suas aspirações individuais em ano de eleição. As propostas lançadas pelo governo acenderam o alarme entre analistas e mercado. Eles alertam que, dependendo do resultado – especialmente da proposta de prorrogação do pagamento de precatórios e da reforma do Imposto de Renda –, esse arranjo poderá não apenas fragilizar a regra fiscal como, para solucionar o Orçamento de 2022, gerar outros impactos de longo prazo.

 


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