Nesta edição – novembro 2020

Carta do IBRE
Apesar do nó fiscal, ainda é possível acertar o rumo da economia

É quase lugar-comum dizer que a situação fiscal brasileira no final de 2020 e início de 2021 é crítica. Basta comparar as projeções do FGV IBRE para indicadores fiscais em 2020 com os resultados de 2019. O déficit primário do governo central e do setor público consolidado devem saltar de, respectivamente, 1,2% e 0,9% do PIB para 12% e 12,5%. Em 22/10, com mediação de Fernando Canzian, repórter especial da Folha de S. Paulo, dois pesquisadores associados do FGV IBRE, Nelson Barbosa e Samuel Pessôa, debateram precisamente os diagnósticos e as saídas relativas ao atual impasse fiscal. Na conversa, houve convergência quanto à existência de um grande nó, mas diferenças surgiram em relação a como desatá-lo. Essa Carta mostrará os principais pontos dessas convergências e de que forma poderemos sair desse intrincado nó.

Ponto de Vista
Florestan Fernandes, questão racial e conservadorismo

Florestan foi um dos primeiros autores – e certamente o mais impactante – a olhar o tema racial no Brasil por uma chave alternativa à contribuição marcante de Gilberto Freyre. Florestan mostrou que, por trás da suposta democracia racial – não que Freire tenha usado especificamente esse termo em suas principais obras – havia uma sociedade que cultivava (e cultiva) mecanismos, muitas vezes discretos e inconscientes (este é o foco de toda a literatura de racismo estrutural), de manutenção das desigualdades.

Entrevistas
Fernando Henrique Cardoso 
“O nível de desigualdade chegou a um ponto que poderá prejudicar o desenvolvimento do capitalismo”

Em entrevista à revista, o ex-presidente defende que o dever de qualquer mandatário é sinalizar um plano de futuro e abrir expectativas novas para a sociedade. No sistema presidencialista brasileiro, diz, por mais que o Congresso colabore para avançar nessa direção, nada supre o papel do Executivo. “Olhamos para quem dá o rumo. E quando quem dá o rumo fica confuso, o país fica perdido.”.

Delfim Netto
“A missão de um governo é escolher, e o governo se recusa a fazê-lo”

Para Delfim Netto, a difícil tarefa de coordenar uma readequação dos gastos públicos, permitindo a inclusão de novas políticas sem ferir o teto de gastos, depende da liderança do governo. “A manutenção do teto é uma tarefa difícil, como é difícil toda tarefa de governo. Mas a missão do Executivo é escolher, e o governo se recusa a fazê-lo”, afirma.

Macroeconomia
Nada Simples!

O debate brasileiro sobre tributação está na contramão de muito do que se apura e discute no exterior. Um suposto alto limite do regime do Simples, ponto que se discute muito no país, como fator que impede as empresas de crescer, enquanto em OCDE (2018) há o alerta que esse tipo de problema é típico de limite relativamente baixo, atuando como um desincentivo para o crescimento dos negócios ou como um incentivo a evitar um IVA, dividindo as atividades artificialmente. Aquele organismo defende, portanto, a aplicação de um imposto alternativo mais simples para empresas abaixo do limite do IVA a fim de trazê-las à economia formal.

Capa | Gestão Pública
Gestão Pública

Depois de completados oito meses desde que o Brasil entrou oficialmente para a lista de vítimas do choque da Covid-19, governadores dividem suas atenções entre a planilha na qual acompanham os sinais de evolução da atividade e o noticiário, numa gangorra de expectativas que variam do otimismo pela evolução na testagem das vacinas à preocupação com a nova onda de contágio que leva países europeus a retomarem parte das medidas de isolamento social. A maioria observa a chegada de 2021 com a clareza de que a crise sanitária e seus efeitos não terão desaparecido na contagem regressiva da virada de ano. E que o horizonte à frente ainda é curto de certezas em diversas frentes, da sustentabilidade real do consumo e da atividade empresarial, aos desafios de gestão que serão impostos daqui adiante, a começar pela volta às aulas.

 

 

 


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